terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pastoral da Terra denuncia desapropriações forçadas em projeto do grupo de Eike Batista

*Já descobriu por que o Eike Batista é o homem mais rico do Brasil?


A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nota neste sábado (10) contra o processo de desapropriação de agricultores no município de São João da Barra, norte do estado do Rio, onde está sendo construído um complexo industrial ligado ao Superporto de Açu, do grupo EBX, do empresário Eike Batista.
A CPT denunciou que um número que pode chegar a 1,5 mil famílias - nos distritos de Água Preta, Barra do Jacaré, Sabonete, Cazumbá, Campo da Praia, Bajuru, Quixaba, Azeitona, Capela São Pedro e Açu – estão sendo pressionadas a abandonarem suas casas.
A representante da CPT na região, Carolina de Cássia, disse que a vontade de quase todos moradores é permanecer na terra, onde se encontram há gerações, mas se sentem pressionados a saírem. “A obra está avançando de forma muito truculenta, tirando os agricultores e os ameaçando. Lá têm muitos idosos que moram há anos na região e estão adoecendo [com a situação]. Nós encontramos vários deles que entraram em processo de depressão e estão acamados”.
A empresa LLX, subsidiária da área de logística do grupo EBX, informou por sua assessoria que está investindo R$ 150 milhões no processo de desapropriação, inclusive com a construção de uma localidade batizada de Vila da Terra, para onde estão sendo levadas 90 famílias de pequenos agricultores, que tinham até dez hectares.
Segundo a LLX, as casas são dotadas de infraestrutura, móveis e aparelhos eletrônicos, incluindo televisão de tela plana. A dimensão mínima dos terrenos da Vila da Terra mede dois hectares, conforme a assessoria. A proposta de remoção já teria sido aceita por 38 famílias. Os demais proprietários, com terrenos acima dos dez hectares, serão desapropriados e receberão o valor correspondente por suas terras.
A LLX informou que são apenas 400 famílias a serem desapropriadas e ressaltou que todo o processo de desapropriação é responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin) e se baseia no decreto estadual 41.915/2009, que prevê a desapropriação de um total de 7,2 mil hectares.
A representante da CPT informou que as famílias classificaram as condições na Vila da Terra como “favela rural”, pela proximidade entre as casas, pois elas estão acostumadas a viverem em terras mais amplas. Carolina ressaltou que já estão sendo mobilizadas instâncias jurídicas, como o Ministério Público Federal (MPF), para dar assessoria aos moradores.
Segundo ela, também chegaram à região neste final de semana representantes da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), para reforçar a luta contra a desapropriação. Segundo a CPT, as terras são férteis e não devem ser utilizadas para a construção de um complexo industrial.
O Porto do Açu é um dos mais ambiciosos projetos de Eike Batista, dotando a região de um porto moderno para grandes embarcações, que embarcariam minério de ferro produzido em Minas Gerais, por meio de um mineroduto com 525 quilômetros (km), além de outras cargas, totalizando 350 milhões de toneladas por ano. Na área próxima ao porto, Eike planeja instalar dezenas de empresas dos setores siderúrgico, metal-mecânico, armazenamento de petróleo, estaleiro, tecnologia da informação, além de uma usina termelétrica.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Qual foi a empresa que mais desrespeitou os direitos humanos ou o meio ambiente no Brasil em 2011?

por: Leonardo Sakamoto
Foram centenas de comentários e mensagens com sugestões e defesas enviadas a este blog, mas também via Twitter, Facebook ou e-mail. Às quatro mais citadas pelo público foi incluída uma quinta, escolhida através de propostas de colegas, grandes jornalistas de política e economia da imprensa. Abaixo, a razão das finalistas terem sido escolhidas. Abstive-me de opinar, acreditem ou não. A minha lista seria outra...
A idéia é lembrar a todos que os impactos socioambientais oriundos da ação direta de empresas ou como efeitos colaterais do desenvolvimento econômico podem afetar muito mais do que pessoas e ecossistemas. Atingem, por exemplo, a imagem pública dos próprios envolvidos. E que, com um empurrãozinho da sociedade, corporações podem deixar de lado determinadas práticas. Ora, se na internet já estão pipocando pesquisas como qual o melhor beijo no cinema, o melhor barraco na TV, o pior carro lançado, a personalidade do ano, por que não elegermos a empresa que causou um grande dano à sociedade?
A enquete está aberta e vai ficar aqui, à direita, até 10 de dezembro, quando se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos, quando conheceremos a vencedora.
Vote. E seja feliz.
Finalistas:
Banco Panamericano
Balanços maquiados esconderam rombo de R$ 4,3 bilhões no banco de Sílvio Santos, que até então pagava bônus generosos aos seus executivos. Um pouco antes do escândalo vir à tona, o proprietário ainda conseguiu vender 36% desse pepino (R$ 739 milhões) para a Caixa Econômica Federal. Ou seja, dinheiro que poderia estar sendo usado em educação, saúde, programas sociais...
Chevron
Perfuração em um dos poços da empresa na Bacia de Campos causou um vazamento que demorou para ser devidamente notificado. Diante da repercussão negativa, um dos seus dirigentes afirmou: "Nunca vi um vazamento tão pequeno gerar tamanha reação. Essa reação exagerada está nos intrigando". Segundo o governo federal, a empresa corre o risco de ser expulsa do país.
Energia Sustentável do Brasil*
A destruição de parte do canteiro de obras da Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, causada por protestos de trabalhadores foi regada a denúncias de falta de tratamento decente aos doentes, não pagamento de horas extras e descumprimento das promessas dos recrutadores que arregimentaram a mão-de-obra. Além disso, há dois anos 38 pessoas foram resgatadas da escravidão enquanto trabalhavam para a uma construtora que prestava serviço ao consórcio responsável pela construção da usina.
(*) Camargo Corrêa, Suez, Eletrosul e Chesf.
Norte Energia SA*
Consórcio construtor da hidrelétrica de Belo Monte é acusado de assediar e ameaçar pequenos agricultores e ribeirinhos, efetuando despejos compulsórios. Duas greves estouraram em menos de 20 dias por péssimas condições de trabalho. O município de Altamira já sente os efeitos da obra – centenas de moradores pobres foram expulsos de seus barracos pela especulação imobiliária – uma vez que as melhorias urbanas e centros de saúde prometidos pelo consórcio não foram cumpridas.
(*) Formado por Eletrobras, Chesf, Eletronorte, Vale, Bolzano Participações, Caixa Cevix, Funcef e Petros.
Zara
Três oficinas que produziam roupas para a empresa foram flagradas com imigrantes ilegais em situação de trabalho escravo. A Zara pediu desculpas, assumiu parte da responsabilidade, mas sustenta que os casos foram isolados. Vem anunciando ações junto a seus fornecedores, mas ainda não concordou com uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta apresentada pelo Ministério Público do Trabalho.
Então, vamos lá:
Qual foi a empresa que mais desrespeitou os direitos humanos ou o meio ambiente no Brasil em 2011?
Norte Energia S/A (Usina de Belo Monte) (31%, 528 Votes)
Zara (29%, 493 Votes)
Chevron (24%, 411 Votes)
Energia Sustentável do Brasil (Usina de Jirau) (10%, 181 Votes)
Banco Panamericano (6%, 113 Votes)
Total Voters: 1.725

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

OS PRESOS DE MARÇO

OS PRESOS DE MARÇO (documentário - curta metragem) from arthur moura on Vimeo.



O documentário Os Presos de Março é um curta-metragem que discute a prisão do dia 18.03.11 pela PM de 13 manifestantes que protestavam contra a vinda do presidente norte-americano no Brasil, em frente à embaixada dos EUA. Três visões numa análise ampla e heterogenea, lançando luz a outras análises a respeito da democracia, liberdade de expressão, direitos humanos e perspectivas políticas. 

Por Arthur Moura

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mumia Abu-Jamal se livra da pena de morte. O desafio agora é levá-lo para casa

Há poucas horas o Ministério Público da Pensilvânia desistiu de pedir a execução de Mumia Abu-Jamal. Agora, depois de mantê-lo em condições de tortura durante 30 anos, as autoridades estadunidenses pretendem deixá-lo o resto de sua vida na prisão. De nenhuma maneira podemos permitir isto. O movimento conseguiu deter a sua execução. Agora o desafio é levá-lo para casa. Mumia livre já!
Ex-Pantera Negra se livra de pena de morte nos EUA
O ativista negro Mumia Abu-Jamal, ex-membro do grupo Panteras Negras, não será mais executado, anunciou nesta quarta-feira (7) a Procuradoria da Filadélfia, no estado da Pensilvânia, após 30 anos de batalhas legais.
Abu-Jamal foi condenado à pena de morte pela morte do policial branco Daniel Faulkner em dezembro de 1981 e, após a decisão da Procuradoria, cumprirá agora a pena de prisão perpétua, segundo as leis do estado da Pensilvânia.
Grupos de ativistas e de direitos humanos haviam pedido para que mudassem a pena de morte de Abu-Jamal e uma corte federal de apelações dos EUA ordenou um reexame da condenação, sem mudar o veredicto de culpado pelo assassinato.
Abu-Jamal, de 57 anos, sempre negou ter cometido o crime. O caso se tornou uma causa célebre dos críticos da pena capital.
Fonte: agências de notícias internacionais

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O livro novo de Eduardo Galeano: Os filhos dos dias

Galeano precisou de quatro ou cinco anos e de exatas 42.754 palavras para fechar os 366 textos de seu novo trabalho, um para cada dia do ano. Diz que é uma versão pessoal, dele, do gênese segundo os maias. E diz que se somos filhos dos dias, de cada dia nasce uma história que vale a pena ser contada. "Os filhos dos dias" é, revela seu autor, primo-irmão de seu livro anterior "Espelhos" . O novo livro só chegará ao público em março do ano que vem. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Na casa do bairro de Malvin, em Montevidéu, há um certo alívio e uma certa expectativa. Alívio, porque o morador terminou há poucos dias um trabalho que consumiu os últimos quatro ou cinco anos de sua vida. Expectativa, porque o resultado desse trabalho só chegará ao público daqui a alguns meses, em março do ano que vem.

O morador se chama Eduardo Galeano e o trabalho que chegará ao público é um livro que se chama ‘Os filhos dos dias’. Galeano precisou desses anos e de exatas 42.754 palavras para fechar os 366 textos de seu novo trabalho, um para cada dia do ano. Diz que é uma versão pessoal, dele, do gênese segundo os maias. E diz que se somos filhos dos dias, de cada dia nasce uma história que vale a pena ser contada.

‘Os filhos dos dias’ é, revela seu autor, primo-irmão de seu livro anterior, ‘Espejos’, um êxito olímpico em castelhano (estacionou e permaneceu por meses no topo da lista dos mais vendidos na Argentina, por exemplo, antes de ser traduzido para dez idiomas), lançado no Brasil pela L&PM. E explica: é primo-irmão porque começou a ser escrito enquanto ele ainda trabalhava em ‘Espejos’.

Cada um dos 366 textos de ‘Os filhos dos dias’ foi escrito várias vezes. Aliás, cada texto de Galeano é escrito um sem-fim de vezes. E nascem ao léu, em qualquer lugar e circunstância. Onde quer que vá pela vida, ele carrega sempre umas cadernetinhas minúsculas, que chama de ‘mi libretita enana’, e é nessa cardernetinha anã que vai anotando palavras. Na maior parte das vezes, em sua casa ampla, cálida, de paredes brancas e jardins bem cuidados. Mas também na mesa do café Brasileiro, em Montevidéu, que funciona como uma espécie de escritório, onde trabalha, dá entrevistas, recebe visitas ou simplesmente fica vendo a vida. E também em aviões e trens, em suas longas, infinitas caminhadas diárias pela orla de Montevidéu, as ramblas à beira do rio da Prata que eles chamam de mar.

Fazer e refazer, lapidar cada texto, cada palavra, é parte de seu método de trabalho há muitos anos. Mais exatamente a partir da formidável trilogia ‘Memória do Fogo’ (Os Nascimentos, As Caras e as Máscaras, e O Século do Vento), iniciada em 1982, onde ele adotou a forma dos textos curtos, secos, extremamente condensados. Como quem busca nas palavras, mais que o osso, a própria medula. O cerne. Aprendeu de um mestre de todos nós, Juan Rulfo, que escrever é reescrever, e que reescrever é cortar palavras, até chegar à sua essência.

Assim é o registro, por exemplo, do 8 de abril de 1973, dia da morte de Picasso:

O homem que nasceu muitas vezes
Morreu hoje, em 1973, Pablo Diego Francisco José de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz Picasso, mais conhecido como Pablo Picasso.

Tinha nascido em 1881. E se vê que gostou de nascer, porque continuou nascendo.


O dia 7 de maio de 1954 é dedicado a outro personagem essencial de nossos tempos:

Os estraga-prazeres
Em 1954, os rebeldes vietnamitas propiciaram uma tremenda sova aos militares franceses em seu invulnerável quartel de Dien Bien Phu. E após um século de conquistas coloniais, a gloriosa França teve de sumir correndo do Vietnã.

Depois, foi a vez dos Estados Unidos. Nem vendo dava para crer: a primeira potência do mundo e de todo o espaço sideral também sofreu a humilhação da derrota nesse país minúsculo, mal armado, povoado por pouca gente e por gente pobre.

Um camponês, de lento caminhar, de palavras escassas, encabeçou essas duas façanhas.

Ele se chamava Ho Chi Minh, era chamado de Tio Ho.

Tio Ho se parecia pouco aos chefes de outras revoluções.

Em certa ocasião, um militante voltou de uma aldeia, e informou a ele que não havia maneira de organizar aquela gente.

– São uns budistas atrasados, que passam o dia inteiro meditando.

– Pois volte lá e medite – mandou Tio Ho.


Para contar a história de cada dia Galeano vasculhou livros, arquivos, registros. Mas diz que não tem nenhum método de investigação e pesquisa, e, aliás, nenhum método de vida. Diz que as histórias vão atrás dele, dão um tapinha em suas costas, e dizem: “Me conte, me conte que eu valho a pena”.

E que assim vai contando as histórias dos tempos e das gentes, construindo sua gênese de todos nós, em textos curtos, densos, carregados de vida e emoção, e que valem a pena, e como.