O problema está no quadro para ser resolvido
Os números da equação trazem um empecilho
O giz bate na cabeça do aluno aplicado
O professor expulsa o aluno revoltado
O pedagogo convocado para conter a revolta
Os cadernos são queimados, não mais se reprova
O cidadão é intimado, o cidadão é alienado
A sala de aula, morte do potencial declarado
Ler e escrever não satisfaz a demanda
Quem disse que escola ensina a essência humana
A pública te treina pro mercado de trabalho
A privada ensina o conteúdo inquestionado
Ah tá, não entendi nada professor
Quem foi incompetente que não te ensinou
Qual é a estatística da sua escola
O que importa, esqueci o conteúdo, o que importa
Palavras de baixo calão não se pode usar
nem na sala dos professores, olhe lá, olhe lá
Comente a frequência de baixo rendimento
A avaliação questionando as formas de talento
Os conteúdos querem ser manuseados
O currículo que ser reformulado
O absurdo é sempre reivindicado
O humano relativo e o seu dia contado
Educadores ganhando condecoração
Escolas contendo a rebelião
Explicação do Ministro da Educação
E o cidadão, ei, cadê o cidadão?
Conhecimento científico e conhecimento popular
O próximo será pulsão para transformar
A educação que destrói os horrores
Proporcionando sonhos, amores, libertação das dores
Quem é que dá a nota da sua prova?
Qual diretor que te expulsou daquela escola?
O diploma é sintoma de formação?
Por que a educação serve de manutenção?
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
"Isso é obra de Mubarak"
A luta ao meu redor na praça Tahrir era tão terrível que podíamos sentir o cheiro do sangue. Os homens e mulheres que estão exigindo o fim da ditadura de 30 anos de Mubarak – vi jovens mulheres arrancando pedras do pavimento enquanto caíam rochas ao seu redor – lutavam com imensa coragem que, mais tarde, se converteu em uma crueldade terrível. Ao final, o governo informou que houve 3 mortos e 637 feridos; segundo a cadeia Al Jazeera os feridos chegavam a 1500. “Isso é obra de Mubarak”, disse-me um atirador de pedras ferido. “Ele conseguiu que os egípcios se voltassem uns contra os outros por apenas nove meses mais de poder. Está louco. Vocês do Ocidente também estão loucos?” O artigo é de Robert Fisk.
Robert Fisk - Página/12
A contra revolução do presidente Hosni Mubarak entrou em choque ontem com seus oponentes em meio a uma chuva de pedras, paus e barras de ferro, em uma batalha que durou todo o dia no centro da capital que ele afirma governar entre dezenas de milhares de jovens que – e aqui está a mais perigosa das armas – brandiam a bandeira do Egito no rosto de seus adversários.
A luta ao meu redor na praça Tahrir era tão terrível que podíamos sentir o cheiro do sangue. Os homens e mulheres que estão exigindo o fim da ditadura de 30 anos de Mubarak – vi jovens mulheres arrancando pedras do pavimento enquanto caíam rochas ao seu redor – lutavam com imensa coragem que, mais tarde, se converteu em uma crueldade terrível. Ao final, o governo informou que houve 3 mortos e 637 feridos; segundo a cadeia Al Jazeera os feridos chegavam a 1500.
Alguns arrastavam homens de segurança de Mubarak pela praça, golpeando-os até que o sangue saído de suas cabeças tingisse sua roupa. O Terceiro Exército egípcio, famoso por cruzar o Canal de Suez em 1973, não pode – ou não quis – sequer cruzar a praça Tahrir para ajudar os feridos. Milhares de egípcios gritavam – e isso é o mais próximo de uma guerra civil –, lançavam-se uns contra os outros como lutadores romanos, e simplesmente empurraram as unidades de paraquedistas que “vigiavam” a praça para cima de seus tanques e veículos blindados que logo acabaram sendo usados como escudo de proteção.
Um comandante de tanque Abrams – e eu estava somente a três metros dele – simplesmente se esquivou das pedras que ricocheteavam no tanque, saltou para dentro do veículo e fechou a escotilha. Os partidários de Mubarak subiram então no tanque para atirar mais pedras contra seus jovens e enlouquecidos antagonistas.
Suponho que é o mesmo em todas as batalhas, ainda que (ainda) não tenham aparecido as armas; o abuso de ambos os lados provocou uma chuva de pedras dos homens de Mubarak – sim, eles começaram – e logo os manifestantes que tomaram a praça para pedir a saída do ancião começaram a quebrar o pavimento e atirar as pedras de volta.
Quando cheguei à “linha de frente”, ambos os bandos estavam gritando e atacando-se entre si, o sangue corria por seus rostos. Em um certo momento, antes que passasse o choque do ataque, os partidários de Mubarak quase cruzaram toda a praça em frente ao monstruoso edifício Mugamma – uma relíquia do esforço nasserista – antes de serem rechaçados.
Agora que os egípcios estão lutando contra os egípcios, como devemos chamar a esta gente perigosamente furiosa? Os mubarakistas? Os “manifestantes” ou, de maneira mais inquietante, a “resistência”? Por que é assim que se chamam a si mesmos os homens e mulheres que estão lutando para derrotar Mubarak. “Isso é obra de Mubarak”, disse-me um atirador de pedras ferido. “Ele conseguiu que os egípcios se voltassem uns contra os outros por apenas nove meses mais de poder. Está louco. Vocês do Ocidente também estão loucos?”
Não recordo como respondi a pergunta. Mas como poderia me esquecer de ter visto, umas poucas horas antes, o “especialista” em Oriente Médio, Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, responder a pergunta “Mubarak é um ditador”, da seguinte forma: “Não, é uma figura de estilo monárquico”.
A imagem do rosto deste monarca era levada em cartazes gigantes, uma provocação impressa, para as barricadas. Distribuídos pelos funcionários do Partido Nacional Democrático (PND), muitos eram levados por homens que portavam distintivos e cassetetes da polícia. Não havia dúvida sobre isso porque eu tinha dirigido desde o deserto até o Cairo, enquanto eles se organizavam em frente ao Ministério do Exterior e do edifício da rádio estatal, na margem oeste do Nilo. Havia alto falantes ligados com canções e chamados de vida eterna para Mubarak (uma presidência muito longa, por certo) e muitos estavam sentados em novas motocicletas, como se estivessem inspirados nos capangas de Mahmud Ahmadinejad depois das eleições iranianas de 2009.
Só quando passei o edifício da rádio é que vi milhares de jovens homens entrando desde os subúrbios do Cairo. Havia mulheres também, a maioria vestia o tradicional traje negro; algumas poucas crianças entre elas, caminhando por trás do Museu Egípcio. Disseram-me eu tinham tanto direito a estar na praça Tahrir como os manifestantes e que tentavam expressar seu amor por seu presidente no lugar onde ele havia sido tão profanado.
E tinham razão, suponho. Os democratas – ou a “resistência”, dependendo do ponto de vista – tinham expulsado os homens das forças de segurança desta mesma praça na semana passada. O problema é que os homens de Mubarak incluem alguns dos mesmos capangas que eu vi então, quando estavam trabalhando com a polícia de segurança armada para atacar os manifestantes. Um deles, um jovem de camisa amarela, cabelo revolto e olhos brilhantes avermelhados, levava a mesma barra de ferro que usava na semana passada. Uma vez mais, os defensores de Mubarak estavam de volta. Até cantavam o mesmo velho refrão: “Com nosso sangue, com nossa alma, a vós nos dedicamos”.
Caminhei ao lado das fileiras de Mubarak e cheguei à frente quando eles começaram outro ataque à praça Tahrir. O céu estava cheio de pedras. Estou falando de pedras de 15 centímetros de diâmetros, que golpeavam o terreno como peças de morteiro. Deste lado da “linha” chegavam os opositores de Mubarak. Eles se dividam e golpeavam as paredes ao nosso redor. Neste ponto, os homens do governo voltaram e correram em estado de pânico enquanto os opositores do presidente os empurravam para frente. Fiquei parado de costas para a janela de uma agência de viagens fechada – lembro um cartaz para um fim de semana romântico em Luxor e no “Vale das Tumbas”. Mas as pedras caíam como chuva, centenas delas ao mesmo tempo, e logo um novo grupo de homens estava ao meu lado, eram os manifestantes egípcios da praça. Mas em sua fúria já não gritavam “Abaixo Mubarak” e “Mubarak Negro”, mas sim “Alá Akbar” – Deus é grande –, grito que escutei seguidamente a medida que o dia avançava.
Um lado gritava Mubarak, o outro Deus. Não tinha sido assim 24 horas antes. Dirige-me para um terreno mais seguro, onde as pedras já não estouravam e fique entre os opositores de Mubarak.
Seria exagerado dizer que as pedras obscureceram o céu, mas por momentos havia centenas de pedras voando pelo céu. Destroçaram totalmente um caminhão do exército, quebrando as janelas e suas laterais. As pedras partiam das ruas paralelas à rua Campollion e de Talaat Harb. Os homens estavam suando, com faixas ensaguentadas na cabeça, gritando seu ódio. Muitos traziam trapos brancos nos ferimentos. Alguns eram levados derramando sangue por toda a rua.
E um incrível número usava o traje islamista, calças curtas, sacolas cinzas, largas barbas e gorros brancos. Gritavam Alá Akbar mais forte e bradavam seu amor a Deus. Sim, Mubarak conseguiu a proeza. Colocou os salafistas contra ele, junto a seus inimigos políticos. Volta e meia agarravam alguns jovens, tinham os rostos inchados de socos e gritavam temendo por suas vidas. A documentação encontrada em suas roupas provava que trabalhavam para o Ministério do Interior de Mubarak.
Muitos dos manifestantes – jovens seculares, abrindo caminho entre os atacantes – tratavam de defender os prisioneiros. Outros – e eu vi um monte de “islamistas” entre eles -, davam socos nas cabeças destes pobres homens, usando grandes anéis em seus dedos para cortar a pele e fazer o sangue escorrer por seus rostos. Um jovem, com uma camiseta vermelha rasgada, e o rosto inchado de dor, foi resgatado por dois homens fortes, um dos quais o colocou, quase sem roupa, sobre seu ombro, abrindo caminho entre a multidão.
Assim se salvou a vida de Mohamed Abdul Azim Mabrouk Eid, policial de segurança número 2.101.074, do governo de Gizé – seu passe de segurança era azul com três pirâmides estampadas. Outro homem foi resgatado da multidão enfurecida, agarrando-se o estômago. E por trás de um esquadrão de mulheres, chovia pedras.
Houve momentos de farsa em meio a tudo isso. Na metade da tarde, quatro cavalos montados por partidários de Mubarak entraram na praça, junto com um camelo – sim, um camelo verdadeiro que deve ter sido trazido das pirâmides. Seus jóqueis, aparentemente drogados, estavam caindo. Três horas mais tarde, encontrei os cavalos pastando ao lado de uma árvore. Perto da estátua de Talaat Harb, um menino vendia Agwa – um delicioso pão egípcio -, enquanto do outro lado da rua estavam paradas duas figuras, uma menina e um menino, segurando bandejas de papelão idênticas. A bandeja da menina estava cheia de pacotes de cigarro. A do menino, estava cheia de pedras.
Houve cenas que devem ter provocado dor pessoal e angústia para aqueles que as experimentaram. Havia um homem alto, musculoso, ferido no rosto por uma pedra, cujas pernas se dobravam ao lado de uma cabine de telefone. E o soldado do veículo blindado que deixou que as pedras voassem ao seu lado até que saltou para a rua junto com os inimigos de Mubarak, abraçando-se a eles, enquanto as lágrimas corriam por seu rosto.
Não sei realmente quem ganhou a batalha da praça Tahrir ontem. Ao entardecer, as pedras ainda golpeavam as ruas e as pessoas. Depois de um tempo, comecei a me agachar quando vi passar dois pássaros.
Tradução: Katarina Peixoto
O Mundo árabe está em chamas: entrevista com um anarquista sírio
O Mundo árabe está em chamas: entrevista com um anarquista sírio
As revoltas que explodiram no mundo árabe no Iêmen, Tunísia e agora no Egito apanharam todos de surpresa. Constituem, sem sombra de dúvida, um dos acontecimentos mais relevantes do nosso tempo e são um sinal claro de que já não é possível, em lugar nenhum, continuar-se a ser um joguete de ditador com o apoio imperialista. Os regimes extraordinariamente autoritários como os de Ben Ali revelaram-se completamente impotentes perante um povo com grande determinação, unido na luta. São jovens, trabalhadores, desempregados, pobres, os que levam a cabo esta tarefa de mudar o rosto da região provocando calafrios aos mandantes de Washington e de Tel Aviv. Nem todas as armas do regime de Mubarak, nem toda a ajuda militar dos EUA, conseguiram controlar a extensão do protesto. Os rebeldes revelam o poder do povo e da classe trabalhadora quando se unem, a capacidade política dos homens e mulheres comuns para formar organismos de poder dual, com um claro instinto libertário para além de demonstrarem ao mundo que nos encontramos já numa era de mudanças revolucionárias. Estabelecemos um breve diálogo com o nosso companheiro e amigo Mazen Kamalmaz, da Síria - editor do blog anarquista árabehttp://www.ahewar.org/m.asp?i=1385 - que nos falou da importância deste esplêndido acontecimento político.
Pergunta > Parece que toda uma repentina onda de protestos massivos está a sacudir as fundações dos velhos regimes opressivos no mundo árabe… havia indícios de que isto poderia suceder?
Mazen Kamalmaz < Este é um dos aspectos mais interessantes da onda revolucionária que se está a expandir por todo o mundo árabe que chega quando nada o fazia prever. Ainda alguns dias antes das manifestações massivas e sucessivas no Egito a Secretaria de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarava que o governo egípcio era estável e neste momento nada é estável na região: a insurreição mantém-se de pé e para todos os regimes repressivos espera-se o pior. Há aspectos que se reportam a todas estas sublevações tais como a raiva e ressentimento que estavam escondidos, silenciados pela repressão dos Estados, a pobreza e o desemprego crescentes - a que os regimes, estadistas e até intelectuais não prestaram a devida atenção - em relação aos quais os governos, locais ou ocidentais, pensaram que poderiam manter a revolta sob controle… agora sabemos como se enganaram.
Pergunta > Qual a importância da saída de Ben Ali do governo da Tunísia?
Mazen < Este é apenas o primeiro passo do que está para vir. Supõe que o povo, o povo em luta, consegue desafiar a repressão e vencer. É muito cedo para falar sobre o desenlace final, é tudo demasiado complexo ainda, mas o povo já conseguiu ter consciência do seu poder real e apesar disso mantém-se na rua, de modo que a luta ainda se encontra aberta a muitas possibilidades.
Pergunta > Para aonde se está a expandir a revolta? Que países podem experimentar rebeliões massivas?
Mazen < Hoje pode-se afirmar seguramente que qualquer um poderia ser o próximo. Talvez a Argélia, Iêmen ou Jordânia sejam candidatos fortes, mas temos de ter em conta que uma revolução no Egito teria um grande impacto na região, impacto esse que superaria os piores pesadelos dos ditadores e dos seus partidários na região.
Pergunta > Qual seria a relevância de uma revolução no Egito, o segundo maior receptor de ajuda militar estadunidense em todo o mundo?
Mazen < O Egito é o país com as maiores dimensões do Oriente Médio e o seu papel estratégico é muito importante. É um dos principais pilares da política estadunidense nessa região. A pressão das massas é um fator a ter em conta daqui pra frente, inclusive em relação à sobrevivência do velho regime resistir durante algum tempo mais ou não, ou se o novo regime será pró estadunidense. Resumindo, os EUA, o principal apoio do regime atual, irá sofrer o efeito da rebelião das massas egípcias.
Pergunta > Qual o papel dos Irmãos Muçulmanos nestes protestos? E da “velha guarda” da esquerda?
Mazen < Um aspecto muito importante destas manifestações e revoltas é que tiveram uma origem totalmente espontânea e iniciada pelas massas. É verdade que os diferentes partidos políticos juntaram-se a elas mais tarde, mas todo o processo foi, em grande medida, uma manifestação de ação autônoma por parte das massas. Isto é também válido para os grupos políticos islamitas. Embora estes ditos grupos pensem que as futuras eleições os poderiam levar agora ao poder, com as massas em rebelião nas ruas isso será difícil, dado que se negaram ativamente a submeter-se de novo a outro poder repressivo, mas mesmo no caso que isso sucedesse, o povo não aceitaria ser submetido nesta ocasião, enquanto se mantém fresca para a maioria a memória eufórica das parcelas de liberdade que alcançaram através da sua própria luta. Nenhum poder os poderia forçar facilmente a submeter-se de novo a algum regime repressivo.
Outro aspecto a ter em conta é que durante as revoluções o povo é mais receptivo às idéias libertárias e anarquistas, e que é a liberdade a idéia hegemônica do momento não o autoritarismo. Alguns dos grupos estalinistas só representam o rosto mais feio do socialismo autoritário... Por exemplo, o antigo Partido Comunista da Tunísia participou com o partido dominante de Ben Ali no governo formado após a expulsão do próprio Ben Ali. Outro grupo autoritário, o Partido Comunista dos Trabalhadores da Tunísia, participou ativamente nos protestos, mas depressa manifestaram as suas contradições: quando Bem Ali escapou tratou de criar conselhos ou comitês locais para defender o processo e logo de seguida retratou-se e apelou para se criar um novo parlamento e governo. No Egito passa-se praticamente o mesmo, há grupos reformistas de esquerda, como o Partido da Unidade Progressista e alguns revolucionários da esquerda autoritária.
Não posso dizer com exatidão qual o papel dos anarquistas ou de outros libertários - há uma crescente tendência comunista conselhista junto a eles - devido à falta de comunicação com os nossos companheiros de lá, mas não posso deixar de ressaltar o que disse anteriormente: que estas revoluções foram feitas principalmente pelas próprias massas. Na Tunísia, os sindicatos mais fortes tiverem um grande papel nas últimas fases da revolta.
Quero referir um pouco mais aos comitês locais criados pelas massas, uma das manifestações mais interessantes da sua ação revolucionária. Perante a pilhagem, iniciada sobretudo pela polícia secreta, o povo criou os ditos comitês como instituições realmente democráticas, como uma competência real de oposição às instituições autoritárias… No Egito até ao dia de hoje os governos, os comitês locais e o governo de Mubarak escondiam-se atrás dos tanques e das espingardas dos seus soldados. Isto está a suceder numa região assolada por ditaduras e pelo autoritarismo... Isso é o grandioso das revoluções que transformam o mundo rapidamente. Isto não significa que a luta esteja ganha, pelo contrário, isto significa que a luta real acaba de começar.
Pergunta > Para resumir, qual o seu ponto de vista sobre os acontecimentos? O que pensa que simbolizam?
Mazen < É o começo de uma nova era, as massas estão se sublevando e a sua liberdade está em jogo, as tiranias tombam... Sem dúvida estamos a assistir ao nascimento de um mundo novo.
Tradução > Liberdade à Solta
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Egito - Informações
Para quem quiser ter informações mais precisas sobre o que acontece no Egito.
http://polooeste.wordpress.com/
http://polooeste.wordpress.com/
Transporte Coletivo - Essencialidade ou Lucratividade?
Cabo Frio
A empresa de onibus Salineira caba de implementar no município o sistema de integração das linhas de ônibus. As Linhas Vila do Ar, Parque Eldorado e Muro de Pedra vão até a rodoviária e caso você esteja em São Cristovão ou Deseja ir para São Cristovão, pega-se outro onibus gratuitamente. Algumas questões:
1 - Parece que a população não foi avisada sobre as mudanças, é assim mesmo? Mudanças em serviços essenciais para o povo e não se tem uma publicização?
2 - Para um sistema assim ser eficaz, não deveria se construir um terminal de integração?
3 - É para diminuir o tempo das pessoas nos onibus, acabar com a superlotação, melhorar a acessibilidade? Existe uma explicação plausível?
Alguém para responder, por favor!!!!
1 - Parece que a população não foi avisada sobre as mudanças, é assim mesmo? Mudanças em serviços essenciais para o povo e não se tem uma publicização?
2 - Para um sistema assim ser eficaz, não deveria se construir um terminal de integração?
3 - É para diminuir o tempo das pessoas nos onibus, acabar com a superlotação, melhorar a acessibilidade? Existe uma explicação plausível?
Alguém para responder, por favor!!!!
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Hip-Hop no mundo inteiro, por Mumia Abu-Jamal
15 de julho de 2006
"Muitas vezes o termo ´hip-hop´ lembra imagens de rappers cheios de jóias, as bocas brilhando de ouro, balançando e rangendo os dentes ao som de uma batida pesada. Esta é uma parte do hip-hop, mas só uma pequena parte.
Devido ao poder dos meios de comunicação norte-americanos e as forças internacionais com que alimentam as rádios, o hip-hop agora é música do mundo, com fronteiras que não podem ser delimitadas. A maioria pensa que o hip-hop é uma coisa que vem dos negros dos Estados Unidos e, talvez, dos portorriquenhos também, com raízes no bravo Bronx Sul. Ainda que essa forma de arte tenha nascido aí, e essas origens estejam refletidas nas primeiras canções de rap, as danças e os estilos de arte de rua, hoje em dia os ecos do hip-hop são ouvidos por todo o mundo, e há fãs e adeptos em lugares tão afastados como o Havaí, o Oriente Médio, Nigéria, Índia, Alemanha, França, Cuba, Samoa, África do Sul, Tanzânia e muitos outros países. É quase vertiginoso considerar as diversas formas que assumem o hip-hop e o rap quando cruzam os oceanos.
Pode ser que em muitos lugares a coisa tenha começado com simples imitações dos rappers africano-americanos, mas inevitavelmente acabaram fazendo suas próprias adaptações, com forte influencia do rap africano-americano, de fato, mas engenhosamente criando algo que reflete a força recorrente do elemento indígena. Em Hilo, Havaí, por exemplo, o grupo Sudden Rush indianizou o hip-hop ao usar o idioma havaiano em sua obra enquanto se opõem à anexação estadunidense da ilha e à derrubada e o encarceramento de seus reis. Um de seus maiores sucessos se chama ´Ku´e´, que significa ´resistir´ ou ´defender´. Falam do verdadeiro roubo que foi como o Tio Sam tomou a ilha dos povos nativos.
Na Inglaterra, é comum que o hip-hop tenha um sabor mais asiático, como se vê no grupo Kaliphz, que tem integrantes de origens paquistanesa, sikh e do sudeste asiático. E, quem diria, uma de suas principais influências é o Wu-Tang Clan, o grupo de rappers negros que usa imagens e linguagem relativa ao ´homem negro asiático´, idéia nascida dos ensinamentos da Nação do Islã. Na Inglaterra, é comum que o termo ´negro´ se refira a alguém da África, Ásia ou Caribe – de fato, a qualquer pessoa que não seja branca. Com um grupo como o Kaliphz, os versos de um dos grandes sucessos do Wu-Tang Clan, ´Proteck Ya Neck´, do disco Enter the 36th Chamber, tomam um interessante sentido, quando eles rimam que querem ´tocar o terror na multidão, como tropas do Paquistão´. Como o Kaliphz demonstra, a negritude tem muitos rostos e muitas formas.
Como ocorre com tantas formas de arte que se originaram da América negra (com América, ele se refere aos Estados Unidos), uma vez que se espalha, o hip-hop se transforma e se torna uma ferramenta para outros povos que lutam para resolver os próprios problemas de suas comunidades. Ao redor do mundo, essa forma de arte abraça a transformação social e tem se tornado uma voz de muitas línguas contra o racismo, a exclusão, a pobreza, a exploração política e o imperialismo. Quem começou com essa forma de arte provavelmente nunca se deram conta de todas essas possibilidades. Mas aí está. Virou música do mundo, como o jazz ou o rock´n´roll."
Do corredor da morte, aqui é Mumia Abu-Jamal
Devido ao poder dos meios de comunicação norte-americanos e as forças internacionais com que alimentam as rádios, o hip-hop agora é música do mundo, com fronteiras que não podem ser delimitadas. A maioria pensa que o hip-hop é uma coisa que vem dos negros dos Estados Unidos e, talvez, dos portorriquenhos também, com raízes no bravo Bronx Sul. Ainda que essa forma de arte tenha nascido aí, e essas origens estejam refletidas nas primeiras canções de rap, as danças e os estilos de arte de rua, hoje em dia os ecos do hip-hop são ouvidos por todo o mundo, e há fãs e adeptos em lugares tão afastados como o Havaí, o Oriente Médio, Nigéria, Índia, Alemanha, França, Cuba, Samoa, África do Sul, Tanzânia e muitos outros países. É quase vertiginoso considerar as diversas formas que assumem o hip-hop e o rap quando cruzam os oceanos.
Pode ser que em muitos lugares a coisa tenha começado com simples imitações dos rappers africano-americanos, mas inevitavelmente acabaram fazendo suas próprias adaptações, com forte influencia do rap africano-americano, de fato, mas engenhosamente criando algo que reflete a força recorrente do elemento indígena. Em Hilo, Havaí, por exemplo, o grupo Sudden Rush indianizou o hip-hop ao usar o idioma havaiano em sua obra enquanto se opõem à anexação estadunidense da ilha e à derrubada e o encarceramento de seus reis. Um de seus maiores sucessos se chama ´Ku´e´, que significa ´resistir´ ou ´defender´. Falam do verdadeiro roubo que foi como o Tio Sam tomou a ilha dos povos nativos.
Na Inglaterra, é comum que o hip-hop tenha um sabor mais asiático, como se vê no grupo Kaliphz, que tem integrantes de origens paquistanesa, sikh e do sudeste asiático. E, quem diria, uma de suas principais influências é o Wu-Tang Clan, o grupo de rappers negros que usa imagens e linguagem relativa ao ´homem negro asiático´, idéia nascida dos ensinamentos da Nação do Islã. Na Inglaterra, é comum que o termo ´negro´ se refira a alguém da África, Ásia ou Caribe – de fato, a qualquer pessoa que não seja branca. Com um grupo como o Kaliphz, os versos de um dos grandes sucessos do Wu-Tang Clan, ´Proteck Ya Neck´, do disco Enter the 36th Chamber, tomam um interessante sentido, quando eles rimam que querem ´tocar o terror na multidão, como tropas do Paquistão´. Como o Kaliphz demonstra, a negritude tem muitos rostos e muitas formas.
Como ocorre com tantas formas de arte que se originaram da América negra (com América, ele se refere aos Estados Unidos), uma vez que se espalha, o hip-hop se transforma e se torna uma ferramenta para outros povos que lutam para resolver os próprios problemas de suas comunidades. Ao redor do mundo, essa forma de arte abraça a transformação social e tem se tornado uma voz de muitas línguas contra o racismo, a exclusão, a pobreza, a exploração política e o imperialismo. Quem começou com essa forma de arte provavelmente nunca se deram conta de todas essas possibilidades. Mas aí está. Virou música do mundo, como o jazz ou o rock´n´roll."
Do corredor da morte, aqui é Mumia Abu-Jamal
Drogas: o problema do problema
São ruins as últimas notícias sobre a política do novo governo para as drogas. Há sinais de que o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, indica o caminho do retrocesso. De acordo com o Última Instância (via @rogeliocasado),
A saída de Pedro Abramovay, que desistiu de assumir a Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) depois de ter sido “enquadrado” por defender publicamente o fim da prisão para pequenos traficantes, expôs uma inflexão do governo Dilma em uma estratégia defendida por especialistas e que já vinha sendo desenhada na gestão anterior: o uso de penas alternativas para os pequenos traficantes, que atuam no varejo sem ligação com o crime organizado, muitas vezes para sustentar o próprio vício. A ideia é diferenciá-los dos grandes “atacadistas” da droga.
As declarações do ex-secretário ao jornal O Globo, poucos dias após ser indicado para o cargo, irritaram o governo. No dia seguinte, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, desautorizou Abramovay, dizendo que aquela era apenas uma opinião pessoal dele e que o governo defendia exatamente o oposto, penas mais rigorosas para pessoas ligadas ao tráfico.
Como as declarações de Abramovay não são meramente pessoais, mas fazem parte de uma concepção que vinha se delineando no governo anterior, há fortes razões para considerarmos que estamos diante de um recuo.
Para o professor e desembargador (TJ/RJ) Geraldo Prado:
Em tempos sombrios em matéria criminal, em que grassa a confusão, na maioria das vezes deliberada, sobre o que significa o fenômeno do consumo e circulação de drogas em todo o mundo, insistir na mal-sucedida política do confronto importa em chancelar as condições objetivas e concretas do genocídio, corrupção e dominação territorial, neste caso oscilando entre quem se aproveita do “mercado negro” diretamente e quem dele tira proveito, inclusive político, de forma indireta.
[...]
O esforço visando imprimir racionalidade ao trato da questão das drogas, desenvolvido por um profissional que nos últimos anos, durante o governo Lula, destacou-se pelo equilíbrio e por buscar sempre fundamentos para as ações sob sua responsabilidade, com amplo apoio nas Universidades, Centros de Pesquisas e corporações profissionais haveria de encontrar resistência em setores da sociedade que estão sendo educados pela mídia apenas a enxergar “inimigos”, criados em verdade pela opção simplória e maniqueísta que viabiliza formas autoritárias de controle social.
Sobre a (des)educaçao promovida pela mídia é sintomático o espanto da jornalista da Globo News, Leilane Neubarth (aquela que conduziu boa parte do Tropa de Elite III – A “libertação” do Complexo do Alemão – com direito a bandeira do Brasil fincada em território inimigo e tudo), em entrevista (aparentemente encerrada às pressas) com a professora Gilberta Acselrad (a indicação da entrevista partiu do twitter de @moysespintoneto):
A reação desesperada da jornalista deixa clara a opção pela desinformação, regra na mídia tradicional. Como todos sabem, entrevistados não são convidados pelo que têm a dizer, pelo conhecimento que produziram. Mas apenas para confirmar a as versões tacanhas dos proprietários dos veículos de comunicação. Essa prática já ganhou o nome de Disk-Fonte.
Felizmente existem outras fontes de informação, NA ARGENTINA (no Brasil também, mas não resisti). O Página|12 publicou uma importante entrevista com o psiquiatra Antônio Nery Filho (via @paduafernandes).
Como já dizia a professora Gilberta Acselrad, humanos usam drogas e sempre vão usar porque são humanos. Ou seja, têm consciência e experimentam com essa consciência. De acordo com Nery, as pessoas buscam a droga por alguma necessidade. Se buscam o crack, que seria uma “droga monstruosa”, é porque têm uma “necessidade monstruosa”. Essa “necessidade monstruosa” tem a ver com a exclusão social extrema, com a falta de perspectivas, com um desalento enorme. Alguém vai dizer que pessoas de classe média também usam crack. São exceções e também se encontram em uma situação desesperadora, ainda que esse despespero não seja de natureza socioeconômica. O importante é reconhecer que são as pessoas que procuram as drogas e não o contrário. Reconhecer que sempre vão procurar as drogas, sejam elas mais ou menos aceitas socialmente, lícitas ou ilícitas.
A demonização das drogas, como se elas tivessem poderes malignos, quase uma intenção diabólica, de prejudicar as pessoas é a pior forma de encarar o problema. Drogas são substâncias químicas que interagem com a química cerebral. O que as drogas “fazem” depende de um contexto que é biológico, psíquico e social. Elas não têm poderes “mágicos”, bons ou ruins.
Nesse contexto, a criminalização só atrabalha (criminalização anda de mãos dadas com demonização, com construção de inimigos). Se o abuso de drogas é um problema, a criminalização é o agravante. Não é solução. Décadas de proibição e guerra às drogas só fizeram com que os problemas se tornassem cada vez maiores. Pessoas tiveram as suas vidas destruídas, não pela droga, mas pela prisão e pelo estigma. Os mais pobres são os que mais sofrem, pois são eles os “traficantes” (mesmo quando apenas usuários) que vão para a cadeia.
Por último, mas não menos importante, é preciso reconhecer o fato óbvio de que não é o uso que gera o tráfico. O que gera o tráfico é a proibição. Existem mais viciados em açúcar do que em qualquer outra droga. Não existe tráfico de açúcar. A relação causal entre uso e tráfico é uma associação falsa que inviabiliza o tratamento adequado do problema.
Só mais um coisa: tráfico de drogas não é necessariamente violento. A violência que acompanha o tráfico de drogas no Brasil está associada à pobreza, à desigualdade social e às disputas territoriais que envolvem traficantes, policiais, milicianos e suas intersecções.
Enfim, há sinais de que não começa bem a gestão de Cardozo na definição de políticas para as drogas.
Link Original: Sociologia do Absurdo
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