O Observatório de Favelas abre uma exceção no uso de suas listas de e-mails, voltadas para o envio de boletins, a fim de divulgar os locais que estão recebendo doações após os prejuízos decorrentes da forte chuva de ontem no Rio de Janeiro. Certos da compreensão de nossos leiotres, pedimos que colaborem enviando doações e divulgando entre seus contatos.
Att
Observatório de Favelas
Morro dos Macacos
Local de entrega de doações: Centro Comunitário Raiz e Vida
Endereço: Av.28 de setembro 406/sala 02 - Vila Isabel
Telefone para contato: Márcia Helena, 9633-4982 (fazer contato antes da
entrega)
Morro do Borel
Local de entrega de doações: CIEP da Rua São Miguel (Borel) ou Posto de Saúde
Telefones para contato: Renata, 9154-4938
Maiores Necessidades: Materiais descartáveis (copo, prato, fraldas...)
Andaraí
Local de entrega de doações: Associação de Moradores João Paulo II
Endereço: Rua Sá Viana, 269 – Grajaú.
Telefones para contato: Edson, 81859498
Maiores Necessidades: colchonetes, materiais de higiene pessoal, alimentos
Cerro-Corá e Guararapes
Local de entrega de doações: Padaria do Geneci
Endereço: Rua João Delerri, 68 - Cosme Velho
Telefones para contato: 9189-1904 e 9154-0975 (falar com Fátima)
Maiores Necessidades: alimentos (principalmente para bebês: papinhas e leite), roupas, água e calçados para crianças e bebês
Morro do Turano
Local de entrega de doações: Colégio Estadual Herbert de Souza
Endereço: Rua Barão de Itapagipe (próximo ao número 311 ) – Rio Comprido
Contato: Gisele - 78968200
Maiores necessidades: Fralda, absorvente, mamadeira e leite em pó.
Se você conhece algum outro local ou instituição que esteja recebendo doações entre em contato pelo endereço comunicacao@ observatoriodefa velas.org. br
quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Sérgio Cabral acusa os pobres das favelas pelas próprias mortes!!! (RJ)
Governador Sérgio Cabral Filho (RJ) está agora (12h34) na GloboNews (canal de notícias fechado da Globo), acusando os pobres das favelas pelas próprias (50) mortes, no Estado do Rio de Janeiro!!! Segundo ele: "A culpa das 50 mortes é da irresponsável ocupação desordenada de áreas irregulares, das encostas, por isso eu quero construir muros nas favelas, para impedir a expansão das favelas! Veja a onde estão as mortes. São os mais pobres que morrem, por isso, temos que ser cada vez mais duros na disciplina da ocupação do solo urbano, com aparato da polícia. Já falei com os prefeitos: contem com o Governo do Estado!"
A pergunta, Sr. Sérgio Cabral Filho, é a seguinte: porque você não usou os recordes de arrecadação do Governo do Estado do Rio de Janeiro, para urbanizar TODAS as favelas onde morreram essas 50 pessoas, como fez o Sr. Cesar Maia, com o Favela-Bairro? Porque, para você e sua gestão, a "questão urbana" em relação aos pobres, é expulsá-los das áreas centrais e nobres (como a Rocinha/São Conrado), para longe dos seus trabalhos, indo na contra-mão do urbanismo mundial?
Você sabe, Sr. Governador Sérgio Cabral Filho, que a culpa das 50 mortes é sua, por se omitir quanto à urbanização de TODAS as favelas! Por isso, num ato de desespero, acusa as vítimas pelas próprias mortes. É como acusar uma mulher pelo estupro que sofreu: "Quem mandou sair de saia, na rua?". Na questão das favelas, é como se dissesse: "Quem mandou morar no morro?". A culpa é sua, Cabral!
Forte abraço,
Maurício França Fabião
Mestre em Ciências Sociais (Uerj)
http://mauriciofran cafabiao. blogspot. com
A pergunta, Sr. Sérgio Cabral Filho, é a seguinte: porque você não usou os recordes de arrecadação do Governo do Estado do Rio de Janeiro, para urbanizar TODAS as favelas onde morreram essas 50 pessoas, como fez o Sr. Cesar Maia, com o Favela-Bairro? Porque, para você e sua gestão, a "questão urbana" em relação aos pobres, é expulsá-los das áreas centrais e nobres (como a Rocinha/São Conrado), para longe dos seus trabalhos, indo na contra-mão do urbanismo mundial?
Você sabe, Sr. Governador Sérgio Cabral Filho, que a culpa das 50 mortes é sua, por se omitir quanto à urbanização de TODAS as favelas! Por isso, num ato de desespero, acusa as vítimas pelas próprias mortes. É como acusar uma mulher pelo estupro que sofreu: "Quem mandou sair de saia, na rua?". Na questão das favelas, é como se dissesse: "Quem mandou morar no morro?". A culpa é sua, Cabral!
Forte abraço,
Maurício França Fabião
Mestre em Ciências Sociais (Uerj)
http://mauriciofran
Revitalização do Porto, IPHAN e Políticas Culturais no Morro da Conceição
Antônio Agenor Barbosa e Tomas Martin Ossowicki
No último dia 23 de junho de 2009, o Prefeito Eduardo Paes, junto com o Governador Sergio Cabral e o Presidente Lula, inauguraram o “Porto Maravilha”. O ambicioso projeto tem como um dos principais objetivos, dentre outros, o de transformar a abandonada Zona Portuária do Rio de Janeiro numa nova área residencial o que também acarretará na reestruturação do sistema viário, na criação de áreas comerciais, espaços de lazer, museus e infraestrutura turística. O coração do projeto é a Praça Mauá e adjacências, incluindo o Píer Mauá e os armazéns mais próximos.
Outro espaço contemplado pelo “Porto Maravilha” é o Morro da Conceição; um pequeno bairro histórico cuja ocupação inicial remonta à época colonial, localizado numa colina próxima à Praça Mauá e tendo um casario residencial que, na sua maioria, foi construído no final do século 19 e na primeira metade do século 20. Mais recentemente, o bairro vem ganhando visibilidade na mídia e recebendo a atenção de turistas, fotógrafos, cineastas, produtores de eventos culturais e de outros atores sociais mas, paradoxalmente, só agora é que instituições públicas estão voltando a cuidar do bairro após décadas de total repúdio, abandono e esquecimento onde o Morro da Conceição gozou de grande invisibilidade junto aos órgãos da Prefeitura, do Governo do Estado e da União.
Antecipando a inauguração da revitalização da Zona Portuária, portanto, a 6ª Superintendência do IPHAN/RJ junto com as Secretarias Municipais de Urbanismo, Cultura e Turismo, apresentaram o “Projeto Conceição” em reunião com os moradores do bairro no último dia 2 de junho de 2009.
Segundo informou o IPHAN, o projeto conta com um ambicioso plano para restaurar o patrimônio arquitetônico do bairro, visando um tombamento integral do morro, além de promover uma série de intervenções e ações no que se refere ao mobiliário urbano, à redefinição de parâmetros urbanísticos, à fiscalização patrimonial, às pesquisas arqueológicas, às orientações técnico-construtivas para os moradores, e fomento a eventos culturais e ao turismo.
Mas será que o IPHAN está se dedicando, de fato, à salvaguarda dos bens culturais representativos dos diversos segmentos sociais do Morro da Conceição? Será que o IPHAN, - ao invés de se preocupar com a preservação dos espaços de convívio e das memórias sociais e suas relações múltiplas com fachadas, ruas, becos e escadarias, - estaria se dedicando apenas a um tipo de salvaguarda que mistura antigas práticas monumentalistas baseadas na contemplação estética das elites culturais com a tendência atual de transformar patrimônios em novas mercadorias a serem, simplesmente, consumidas?
Na referida reunião do dia 2 de junho, o IPHAN deixou claro que, infelizmente, o “Projeto Conceição” não está sujeito a diálogo e participação. O projeto parece se resumir a um plano de ações integradas já definido a priori e que se baseia numa idéia redutora de transformação estética, sustentada em instrumentos de controle e em técnicas para disciplinar os moradores. Na contramão das próprias Cartas do IPHAN (Cartas Patrimoniais, Caderno de Documentos n.º 3, 1995) e da Constituição Federal (artigo 216 §1, 1988), grande parcela da população do Morro da Conceição não está sendo contemplada. O mais curioso é que ao receber críticas sobre este ponto, o IPHAN deixou clara a sua posição na referida reunião: - “Se os moradores do Morro da Conceição se opuserem ao projeto, o IPHAN simplesmente baixará um decreto” (Ipsis litteris). Ou ainda se, após inventariação concluída, o IPHAN vier a avaliar que os moradores já alteraram significativamente as suas propriedades, “aí mesmo é que vocês não terão projeto algum”. (Ipsis litteris).
Esta atitude autoritária também se manifestou na negação das dimensões políticas dos processos de patrimonialização, contrariando até mesmo qualquer leitura introdutória sobre o tema (ver, por exemplo, “Patrimônio Histórico e Cultural”, da coleção “Ciências Sociais Passo-a-Passo”, Editora Jorge Zahar de autoria de Sandra de Cássia Pelegrini e Pedro Paulo Funari), quando o IPHAN renegou este aspecto do projeto, reduzindo a discussão a uma questão (apenas) estética, justificada inclusive, por ácidas críticas aos moradores por terem instalado “caixas d’águas azuis nos telhados” (Ipsis litteris) algo que, possivelmente, deslustra o olhar higienista do erudito.
O desconhecimento da realidade local e sua dinâmica social peculiar também foram evidenciados pelo equivocado convite feito pelo IPHAN à Secretária Municipal de Urbanismo para que seja implantado o “Projeto POUSO” no Morro da Conceição. Como já é sabido, POUSO é a abreviação de “Posto de Orientação Urbanística e Social” que é, na verdade, um posto de fiscalização urbanística instalado nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. No folder distribuído pela Prefeitura pode-se ler que o POUSO “ajuda você a zelar pelas melhorias feitas pelo Favela-Bairro (…) para que este NOVO BAIRRO seja tratado como um BAIRRO”.
Como é possível conjugar, a um só tempo, uma distorcida visão romântica do Morro da Conceição; pela qual o bairro é percebido, por um lado, como um sobrevivente idílico de tempos idos – às vezes denominado de “Pérola da Zona Portuária” – onde, obviamente, os moradores pagam o seu IPTU e outros impostos e, por outro lado, querer dotá-lo com um serviço público destinado a algumas das comunidades mais carentes da Cidade que, por motivos de extrema desigualdade socioeconômica, sequer tem seus mínimos direitos garantidos pelo Estado?
Se o IPHAN tivesse real interesse em implantar um projeto sustentável que levasse em consideração os anseios dos moradores, teria também convidado para a reunião a CET-Rio, a Comlurb, a Guarda Municipal, além da Policia Militar e outras instituições competentes para resolver os problemas cotidianos mais imediatos do bairro, problemas estes que vêm sendo reiteradamente denunciados por muitos moradores a estas mesmas instituições, mas sem nenhuma solução até a presente data.
Assim, o IPHAN poderia também ter discutido a capacidade de carga turística e apresentado seu projeto à luz do plano geral de revitalização da Zona Portuária, mostrando suas conexões com o entorno, assunto que surpreendentemente sequer foi mencionado. Poderia ter apresentado programas de educação patrimonial e aberto a discussão sobre patrimônio imaterial conforme diretrizes definidas no Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI). Poderia ter organizado grupos de trabalho com os diversos segmentos sociais que compõem a população do Morro da Conceição, apresentando assim um projeto que buscasse, de fato, “preservar a diversidade das contribuições dos diferentes elementos que compõem a sociedade brasileira” (ver o Portal do IPHAN em: www.iphan.gov. br)
Apesar de décadas sem atenção por parte dos poderes públicos, salvo um projeto coordenado pelo Instituto Pereira Passos, implantado na gestão de Luiz Paulo Conde e que foi desativado pelo César Maia em seguida (ver “Morro da Conceição: da memória o futuro”, 2000) – e que, por isto, acabou prejudicando em vez de preservar aspectos do patrimônio cultural do bairro – a grande maioria dos moradores do Morro da Conceição quer e sempre buscará melhorar a sua qualidade de vida, de suas residências e do seu bairro como um todo.
Neste sentido, precisa-se perguntar se não seria pertinente considerar como ofensa a crítica feita pela 6ª Superintendência do IPHAN culpando os moradores como responsáveis pela poluição visual e alterações arquitetônicas quando – na ausência e devido à incompetência do IPHAN e outros órgãos públicos responsáveis por patrimônios já tombados há décadas no bairro – os moradores venham, de acordo com suas condições e possibilidades, “preservando” aquilo que o IPHAN considera como “Patrimônio Nacional”. Compara, por exemplo, o estado de abandono do Jardim do Valongo – único jardim suspenso do Brasil e bem tombado federal desde 1938 –, ou a condição de verdadeiro depósito de lixo e estacionamento irregular do Largo João da Baiana, onde fica a Pedra do Sal – lugar mítico e sagrado para os movimentos negros cariocas e supostamente o lugar onde o samba urbano carioca nasceu, tombado pelo INEPAC em 1987 – com qualquer residência particular, seja ela alterada ou não.
Acreditamos que praticamente todas as pessoas que vivem no nosso bairro poderiam ter apoiado o “Projeto Conceição” lançado pelo IPHAN se este fosse concebido e apresentado de outra maneira. Contudo, exigimos transparência e participação. Tememos, inclusive, por uma literalização dos múltiplos significados atribuídos aos patrimônios e ao passado pelos diversos segmentos sociais envolvidos, algo que ameaçaria esta multiplicidade reduzindo-a a uma narrativa histórica homogênea e vazia e envolvendo uma violência simbólica que nada tem a ver com os diversos modos de vida e as histórias do bairro, mas que parece satisfazer a uma ínfima minoria interessada em usar o Morro da Conceição como experiência a ser vendida e que busca forçar os fluxos da vida cotidiana a ceder a uma estética descontextualizada e hostil às sociabilidades e às lógicas locais.
Será que o “Porto Maravilha” também é concebido nestes termos? Será que mais de cem anos depois da Reforma Pereira Passos e seus desdobramentos estamos novamente diante de um projeto autoritário de higienismo social destinado justamente àquelas áreas que não foram incluídas na reestruturação urbana pelo ilustre prefeito do Rio de Janeiro de então?
Enquanto estamos nos organizando coletivamente, o IPHAN precisa ampliar sua esfera de interlocutores. Além de apenas dialogar com estetas e produtores de eventos culturais que parecem não gostar do nosso bairro como ele é e que, portanto, buscam transformá-lo em outra coisa (ou, quem sabe, numa “coisa” de fato), o IPHAN deveria convidar os moradores do Morro da Conceição em sua diversidade para que se inicie uma verdadeira parceria baseada no diálogo e na participação, traduzindo em práticas efetivas suas próprias retóricas institucionais, tanto pelo bem dos patrimônios culturais quanto por aqueles que no meio e dentro deles vivem.
Antônio Agenor Barbosa é Arquiteto e Urbanista.
Tomas Martin Ossowicki é Antropólogo.
Ambos são moradores do Morro da Conceição, Rio de Janeiro.
Tomas Martin Ossowicki é Antropólogo.
Ambos são moradores do Morro da Conceição, Rio de Janeiro.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Assassinato de líder da extrema-direita reaviva tensões raciais na África do Sul
VENTERSDORP (AFP) - O assassinato no sábado do líder de ultradireita sul-africano Eugene Terre'Blanche, que dedicou a vida à defesa da supremacia dos brancos e à manutenção do apartheid, provocou a fúria de seu movimento, decidido a vingar a morte, ao mesmo tempo que o presidente Jacob Zuma pediu calma.
O Movimento de Resistência Afrikaner (AWB), grupo criado por Terreblanche que se opôs com violência à transição pós-apartheid, no começo dos anos 1990, se reunirá em 1º de maio para decidir como responder à morte do líder, que segundo a polícia teria sido assassinado por dois empregados de uma fazenda por uma discussão pela falta de pagamento dos salários.
"Decidiremos as ações para vingar a morte de Terre'Blanche. Vamos agir, e nossas ações específicas serão decididas na conferência de 1º de maio", declarou à AFP o secretário-geral do AWB, André Visagie.
"Ele foi morto a golpes de facões e com tubos de encanamento. Ele foi agredido até a morte", destacou, acrescentando que pediu aos membros do movimento, que pedem vingança, para que "fiquem calmos".
O medo e o ódio eram palpáveis em Ventersdorp (noroeste), povoado de origem de Terre'Blanche e ex-bastião do AWB.
Em frente à fazenda do ex-líder de extrema-direita, onde seu corpo foi encontrado no sábado, dezenas de seus partidários se reuniram.
"Eles (os negros, ndr) matam nossos fazendeiros" , declarou um deles, que pediu para ter sua identidade preservada por medo de "represálias" .
"Matar um idoso assim, enquanto dormia, não há do que se orgulhar", acrescentou. Terre'Blanche tinha 69 anos.
O assassinato reaviva as tensões raciais em um país onde a cor da pele continua sendo um fator de divisão, 16 anos depois do fim oficial do regime do apartheid.
Consciente do que o caso pode provocar, o presidente Zuma pediu calma e que "os sul-africanos não permitam aos agentes provocadores se aproveitar da situação para incitar, ou para alimentar, o ódio racial".
Ao fim do dia deste domingo, Zuma fez um novo apelo à "unidade" política e à "responsabilidade" dos dirigentes políticos do país em suas declarações.
Pedidos semelhantes foram feitos pelo ministro da Polícia, Nathi Mthethwa, e pelo comissário nacional, Bheki Cele, que receberam neste domingo familiares da vítima, segundo a agência de notícias SAPA.
Enquanto isso, o Congresso Nacional Africano (ANC, no poder) informou, por sua vez, que nada pode justificar o homicídio de Terre'Blanche.
"Lançamos um apelo a todos os sul-africanos para que se abstenham de qualquer especulação, os autores (do crime) se entregaram às autoridades a cargo de aplicar a lei", informou o ANC em um comunicado.
Eugene Terre'Blanche, 69 anos, dedicou a vida a defender a superioridade dos brancos. À frente de milícias paramilitares e com um emblema parecido com a suástica nazista, foi contrário ao fim do apartheid no início dos anos 1990.
Ele foi preso em 2001 pela tentativa de assassinato de um guarda negro e deixou a penitenciária em 2004 por bom comportamento. Depois disso caiu em relativo esquecimento.
O corpo do extremista foi encontrado no sábado em sua fazenda de Ventersdorp, na Província do Noroeste. A polícia prendeu dois trabalhadores agrícolas, de 15 e 21 anos, que haviam discutido com Terre'Blanche por um problema salarial.
Os dois, que acusam o chefe de ter se recusado a pagar o salário mensal de 300 rands (40 dólares, 70 reais) e de ter agredido física e verbalmente os dois, serão levados a um tribunal na terça-feira.
Apesar da motivação não parecer política, o AWB vinculou o assassinato de seu líder à recente polêmica sobre uma canção que pede a "morte dos boers" (fazendeiros brancos). A música se tornou famosa entre o movimento jovem do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido que governa o país.
Dois tribunais proibiram a canção que, segundo a oposição e várias associações, estimula a violência racial. Mas o ANC defendeu a música em nome da memória da luta contra o apartheid.
Número de assassinatos que vitimam negros na PB é 1.189% maior que entre brancos
Priscylla Meira, com informações do Estado de São Paulo
A Paraíba lidera o ranking da violência contra negros entre todos os estados do país. Aqui no estado, o número de vítimas de homicídio entre negros é 12 vezes maior do que o de brancos, o que equivale a um risco 1.189% superior. O primeiro lugar foi revelado através do Mapa da Violência 2010, e na última semana vem ganhando repercussão nacional através dos principais jornais e portais de notícia de todo o Brasil.
De acordo com o mapa, a cada 100 mil brancos, foram registrados 2,5 assassinatos na Paraíba, no ano de 2007. Já entre a população negra, esse número subiu para 31,9 homicídios para cada 100 mil habitantes negros. A diferença de risco entre as populações são assustadoras e o número de vítimas de homicídio entre negros é 12 vezes maior do que aqueles cometidos contra os brancos aqui no Estado. Segundo o estudo, o problema é ainda mais evidente entre os jovens: o risco para a população negra é 1.472% maior que para a branca.
"As diferenças sempre foram históricas na Paraíba. Mas as mudanças nesses cinco anos foram muito violentas", avalia Júlio Jacobo, autor do estudo.
Apesar de a Paraíba apresentar o maior índice de violência contra os negros, a tendência nacional também refletiu o risco maior para a raça. Em quase todos os estados da federação foi registrada uma redução do número de vítimas entre brancos e o aumento de homicídios que vitimaram negros. Apenas no estado do Paraná o número de vítimas brancas supera a de negras.
De acordo com o Mapa da Violência, o estado de Pernambuco vem em segundo lugar, apresentando um índice de 826,4% mais negros assassinados do que brancos. Um dos estados que apresentou menor índice de vítimas negras foi São Paulo, que ocupou o 21.º lugar no estudo. Na Capital considerada uma das mais violentas do país, o número de negros vítimas de homicídios é 47% maior que o número de brancos.
A Paraíba lidera o ranking da violência contra negros entre todos os estados do país. Aqui no estado, o número de vítimas de homicídio entre negros é 12 vezes maior do que o de brancos, o que equivale a um risco 1.189% superior. O primeiro lugar foi revelado através do Mapa da Violência 2010, e na última semana vem ganhando repercussão nacional através dos principais jornais e portais de notícia de todo o Brasil.
De acordo com o mapa, a cada 100 mil brancos, foram registrados 2,5 assassinatos na Paraíba, no ano de 2007. Já entre a população negra, esse número subiu para 31,9 homicídios para cada 100 mil habitantes negros. A diferença de risco entre as populações são assustadoras e o número de vítimas de homicídio entre negros é 12 vezes maior do que aqueles cometidos contra os brancos aqui no Estado. Segundo o estudo, o problema é ainda mais evidente entre os jovens: o risco para a população negra é 1.472% maior que para a branca.
"As diferenças sempre foram históricas na Paraíba. Mas as mudanças nesses cinco anos foram muito violentas", avalia Júlio Jacobo, autor do estudo.
Apesar de a Paraíba apresentar o maior índice de violência contra os negros, a tendência nacional também refletiu o risco maior para a raça. Em quase todos os estados da federação foi registrada uma redução do número de vítimas entre brancos e o aumento de homicídios que vitimaram negros. Apenas no estado do Paraná o número de vítimas brancas supera a de negras.
De acordo com o Mapa da Violência, o estado de Pernambuco vem em segundo lugar, apresentando um índice de 826,4% mais negros assassinados do que brancos. Um dos estados que apresentou menor índice de vítimas negras foi São Paulo, que ocupou o 21.º lugar no estudo. Na Capital considerada uma das mais violentas do país, o número de negros vítimas de homicídios é 47% maior que o número de brancos.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
A Globo e a ditadura, segundo Walter Clark
O livro “O Campeão de Audiência”[/i] é uma contribuição importante para a compreensão das relações muito especiais entre a TV Globo e o regime militar à sombra do qual floresceu. Além disso, mostra como o jogo de cumplicidade com o regime confundia-se com a luta interna pelo poder dentro da Globo, arbitrada por Roberto Marinho e envolvendo não apenas Clark e Boni, mas também o segundo escalão - Joe Wallach, Arce (José Ulisses Alvarez Arce) e, em especial, o diretor de jornalismo Armando Nogueira. O artigo é de Argemiro Ferreira.
Argemiro Ferreira
Ainda que não tivesse sido esse o objetivo de sua autobiografia, na qual relatou há 19 anos a incrível trajetória que o transformara no todo-poderoso senhor, por mais de uma década, da quarta rede comercial de televisão do mundo, Walter Clark acabou por oferecer no livro - “O Campeão de Audiência”, tendo o jornalista Gabriel Priolli como co-autor, Editora Best Seller, 1991 - uma contribuição importante para a compreensão das relações muito especiais entre a TV Globo e o regime militar à sombra do qual floresceu. Além de rejeitar a conhecida imagem da emissora como uma espécie de porta-voz do “Brasil Grande” do ditador Médici, ele garantia nunca ter visto Roberto Marinho "se humilhar diante de quem quer que fosse, milico ou não, presidente da República ou não. Ao contrário, é uma altivez que fica sempre no limite da arrogância."
Clark referia-se à suposta independência do dono da Globo por "manter em torno de si homens de esquerda em cargos importantes" (citava Franklin de Oliveira, Evandro Carlos de Andrade e Henrique Caban) - inclusive depois que o SNI ampliou a pressão contra os dois últimos, com acusações contidas numa fita de vídeo que o dono da Globo fora convocado a assistir em companhia de Clark e Armando Nogueira. Explicitamente, admitia apenas que o regime "incomodava" a Globo, que enfrentou "o mesmo gosto amargo da censura, das intimidações, das impossibilidades que todo mundo sentiu: imprensa, rádio, televisão, as artes, a universidade, a cultura". Claramente na defensiva, o autor mostrava-se ressentido com os que o culpavam - na própria Globo, e mais até do que Marinho - pela submissão ao regime militar. Mas ao passar das opiniões subjetivas aos fatos concretos, acabava por confirmar o que pretendia desmentir: a docilidade das emissoras de televisão, em parte resultante do caráter precário das concessões de canais pelo governo, tinha uma longa história e já o atropelara antes, na TV Rio.
Essa emissora, na qual também foi autoridade máxima (com o título nominal de "diretor comercial"), Clark submeteu-se, sem reação, ao assalto dos lacerdistas - liderados pelo empresário Abrahão Medina, fazendo valer a condição de patrocinador de programas - no episódio da tomada do Forte de Copacabana, em 1964. Posteriormente, conseguiu o prodígio de entregar-se tanto ao governo estadual como ao federal, até mesmo depois do desafio do governador Carlos Lacerda ao presidente Castello Branco. Clark confessou ter retirado do ar programas de Carlos Heitor Cony e Roberto Campos para satisfazer o coronel Gustavo Borges, chefe de Polícia do Rio, que o chantageava com a ameaça de mudar o horário da novela “O Direito de Nascer”, líder de audiência.
Não por acaso, a experiência da Globo acabaria por extremar a tendência à acomodação, a ponto de Clark contratar um ex-diretor da Censura ("o Otati") para "ler tudo que ia para o ar" e, pior ainda, uma "assessoria especial" para cortejar o poder, formada pelo general Paiva Chaves, pelo civil linha dura Edgardo Manoel Erickson ("pelego dos milicos", conforme disse) e mais "uns cinco ou seis funcionários". O episódio que aparentemente o convenceu a ir tão longe chegava a ser cômico: um certo coronel Lourenço, do Dentel, tinha tirado a estação do ar em 1969, convocando Clark ao ministério da Guerra, porque Ibrahim Sued, na esperança de agradar ao Planalto, divulgara uma intriga plantada pelo grupo do general Jaime Portela, então na conspiração do "governo paralelo" juntamente com d. Yolanda Costa e Silva. Ibrahim foi preso e Clark aprendeu a lição depois de levar pito de um certo coronel Athos, "homem de Sílvio Frota".
Além da suposta altivez de Marinho, impressionaram Clark a "integridade", a "honestidade" e o "patriotismo" do general Garrastazu Médici, que depois de 1974 passara a frequentar seu gabinete na Globo para ver futebol aos domingos. Muita gente apanhava e morria nos cárceres da ditadura, mas para ele isso não podia, de forma alguma, ser coisa de Médici: "Tenho a impressão de que ele não se envolveu com nenhum excesso, nenhuma violência do regime". De quem era, então, a responsabilidade? "Foi coisa dos caras da Segunda Seção do Exército, do SNI, do Cenimar, do Cisa, a turma da segurança. E era tudo na faixa de major, tenente-coronel". Pronto a absolver os poderosos, frequentadores de seu gabinete (até mesmo o general Ednardo D'Ávila‚ chamado no livro de "figura agradável"), e a condenar apenas o guarda da esquina, obscuro, Clark comete o disparate de afirmar que "a censura e as pressões não eram feitas pelos generais", mas por "gente como o Augusto", beque do Vasco que virou agente do DOPS. Mas se era assim, por que submeter-se a eles?
O autor recorreu ainda a outra desculpa para justificar o adesismo e o ufanismo tão escancarados na ocasião pela rede dos Marinho: "A Globo não fazia diferente dos outros". E mais: "Se o Estadão não conseguia enfrentar o regime, se a “Veja” não conseguia, como é que a Globo, sendo uma concessão do Estado, conseguiria resistir à censura, às pressões?" O problema, para os críticos de Clark dentro da própria emissora, é que ela, como ele, parecia preferir aquela filosofia de que se o estupro é inevitável a solução é relaxar e aproveitar. Daí os comerciais da AERP (Clark alega que foram feitos para evitar uma "Voz do Brasil" na televisão, projeto de um certo coronel Aguiar), as coberturas patrióticas de eventos militares (Olimpíadas do Exército e o resto), as baboseiras ufanistas de Amaral Neto. "Era o preço que pagávamos para fazer outras coisas", alegou. Não se deu ao trabalhar de explicar que coisas eram essas. E ele mesmo admitiu na autobiografia que o apregoado Padrão Globo de Qualidade "acabou passando por vitrine de um regime com o qual os profissionais da TV Globo jamais concordaram"?
A Globo devia ao regime, como ficou claro no relato de Clark, até mesmo a introdução da TV a cores - imposta pelo ministro das Comunicações, coronel Higino Corsetti, sabe Deus para atender a que lobby multinacional. Mas a intimidade promíscua com o regime foi mais longe, a ponto de compartilhar com o SNI os serviços clandestinos do "despachante" encarregado de liberar contrabandos na Alfândega: para a empresa, equipamentos de TV; para os militares da espionagem oficial, sofisticados aparelhos de escuta ilegal. Graças a isso, Clark podia desfrutar estranhas sessões de lazer como a conversa com um tal general Antônio Marques, pressuroso em exibir foto tirada no escuro de um cinema (com equipamento infravermelho) e identificar o personagem em cena comprometedora como Dom Ivo Lorsheiter, progressista odiado pela linha dura militar.
O autor defendeu no livro tudo o que fez para "afagar o regime" (expressão dele) e investiu contra os que o acusavam de "puxar o saco dos militares" (também expressão dele). Para fazer autocensura, revelou, tinha importantes aliados internos, com destaque especial para o papel do diretor de jornalismo, Armando Nogueira. Por "questão de realismo", por exemplo, Armando e ele tomavam "muito cuidado" para não trombar "com o regime e nem com Roberto Marinho". Mas o leitor tropeça nas contradições da narrativa, entre elas a ambiguidade em relação ao ex-amigo J. B. (Boni) de Oliveira Sobrinho - acusado de fazer vista grossa quando Dias Gomes e outros enfiavam "coisas nos textos que certamente iam dar problemas", mas também de cumplicidade com os militares para destruir o próprio Clark ("lá por 1976, Laís, a mulher do Boni, foi me denunciar para o pessoal do SNI, que ela conhecia, dizendo que eu era um toxicômano perigoso").
Não é preciso inteligência privilegiada para perceber que o jogo de cumplicidade com o regime confundia-se com a luta interna pelo poder dentro da Globo, arbitrada por Marinho e envolvendo não apenas Clark e Boni, mas também o segundo escalão - Joe Wallach, Arce (José Ulisses Alvarez Arce) e, em especial, o diretor de jornalismo Armando Nogueira, pintado no livro como incompetente, preguiçoso e traiçoeiro. Em meio à guerra, as reuniões do conselho de direção nas manhãs de segunda-feira tornaram-se um inferno, em generalizado clima de intriga e discórdia, com todo mundo brigando com todo mundo. O dinheiro farto que todos ganhavam, contou Clark, "era como veneno, especialmente nas mãos das mulheres". Munidas de talões de cheque, elas estrelavam "um festival de nouveau-richismo, pretensão e falta de educação". Acusado de consumir drogas, Clark defendeu-se generalizando a prática: "a cocaína era chique nas festas intelecto-sociais, e o seu consumo, bastante disseminado", mas "resolveram me transformar em drogado".
Quando Marinho decidiu tomar "o brinquedo de volta" - ou seja, recuperar a Globo, que "tinha emprestado para uns garotos mais moços brincarem" - uma das mãos firmemente agarradas ao tapete de Clark, segundo o livro, foi a do ministro da Justiça, Armando Falcão, "tipo deletério, que adorava fazer intrigas, dizer que éramos todos comunistas, drogados, os piores elementos". No relato aparece um Roberto Marinho bem mais coerente na aliança com o regime do que o autor chega a reconhecer explicitamente - tanto que o episódio no qual Clark é afinal defenestrado mistura, de forma reveladora, a disputa pelo poder no regime militar com aquela que se processava na Globo, escancarando as relações perigosas entre o governo e a rede de televisão consolidada à sombra do autoritarismo.
O autor nega que o motivo de sua saída tenha sido, ao contrário do que se propalou na época, seu comportamento pouco ortodoxo - em razão de excessos alcoólicos - numa festinha com poderosos de Brasília. O livro atribuiu a demissão a queda de braço com o regime, que exigia a expulsão pela Rede Globo da afiliada paranaense de Paulo Pimentel, político que rompera com o antigo protetor, ministro Ney Braga, e ainda era desafeto do chefe do SNI, general João Baptista Figueiredo, já a caminho da presidência. Se assim foi, faltou a Clark reconhecer ter sido demitido na primeira vez em que ousou contrariar o regime. "Eu argumentava - escreveu ele - que o governo tinha o poder concedente dos canais de rádio e TV e, se quisesse atingir o Paulo (Pimentel), que cassasse a sua concessão e enfrentasse o desgaste político". Mas Marinho, pragmático, pensava diferente - talvez sintonizado, naquele sombrio ano de 1977, com o clima gerado por mais uma demonstração de força do regime, o Pacote de Abril.
Clark nem sequer notou a semelhança desse episódio com tantos outros que marcaram a aliança promíscua da Globo com o poder - e nos quais ela se limitara a acatar a vontade do regime. Alguns de tais episódios, envolvendo a TV e autoridades militares, desfilaram ao longo de “Campeão de Audiência”: o ataque do general Muricy a um documentário da CBS (para ele, “subversivo”) sobre o Vietnã (ironicamente, comprado pelo americano Wallach, representante do grupo Time-Life); o Jornal Nacional, no seu terceiro dia de sua existência, proibido por um coronel (Manoel Tavares) do gabinete do general Lira Tavares (membro da Junta que tomara o poder) de noticiar o sequestro do embaixador dos EUA e a doença de Costa e Silva, os dois principais assuntos; o aviso do general Sizeno Sarmento de que as músicas “Caminhando” e “América, América” estavam proibidas de ganhar o Festival Internacional da Canção; a ordem do general Orlando Geisel para as patriotadas de Amaral Neto serem incluídas no horário nobre; a prisão do próprio Clark pelo DOPS no dia do Ato 5, por ordem do coronel Luís França e em represália por ter ele discutido com o motorista do militar num incidente de trânsito.
Enfim, a especialidade da Globo parecia ser a de acomodar-se a qualquer situação. A acomodação prevaleceu também no dia da queda de Clark. E ele aceitou sem discutir o prêmio de consolação (US$ 2 milhões) oferecido por Marinho. Limitou-se a encomendar a carta de demissão (“em alto estilo...literário”) ao amigo Otto Lara Resende, suficientemente versátil para também escrever em seguida a resposta na qual o dono da Globo agradeceu os serviços prestados pelo demissionário (cinco anos depois Otto aceitaria ainda outra missão: o prefácio de “Campeão de Audiência”).
A demissão é uma espécie de anticlímax da autobiografia, na qual o autor assumiu compulsivamente a responsabilidade pelas iniciativas bem sucedidas da Globo, declarou-se partidário de programas de qualidade (mas o salto de audiência veio com os popularescos de baixo nível, apresentados por Raul Longras, Dercy Gonçalves, Chacrinha, etc, não muito distantes da atual pornografia BBB) e atribuiu o mal feito a outros - entre eles, os que mantiveram o faturamento milionário e a liderança absoluta de audiência nos anos seguintes, enquanto o próprio Clark, que na Globo tinha o maior salário do mundo e frequentava presidentes e ministros, descia ao fundo do poço, de fracasso em fracasso (como diretor de duas TVs, logo demitido, e produtor de dois filmes nos quais não se reconheceu sua contribuição, além de um espetáculo teatral altamente deficitário).
"Em 14 anos, depois de minha saída, o que houve de realmente novo?" - perguntou o autor naquele ano de 1991, referindo-se à Globo. Pouca coisa, talvez. Hoje, com a perda crescente de audiência para os concorrentes e sem os privilégios garantidos em 20 anos de ditadura militar, ela está condenada a conformar-se com as regras da democracia e da competição. E passa a valer para a Globo a amarga reflexão pessoal de Clark no livro: “Não se deve cultivar excessivamente o poder, pendurar-se emocionalmente nele, porque um belo dia o poder acaba, e o dia seguinte é terrível".
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