sábado, 16 de janeiro de 2010

Sobre o Haiti

Estamos lendo e assistindo algumas coisas sobre o Haiti e o que podemos dizer...



A falta de infraestrutura, fruto da intervenção das potencias imperialistas mais de 1 século, não permitindo ao povo haitiano ter a sua Soberania; a exploração sensacionalista, colocando povo haitiano como trágico, talvez fazendo alusão a nossa "vida boa" em nossos sofás, acompanhando tudo "in loco"; a volta da maldição de cam, tentando calar a História e a responsabilidade da ONU e afins que sempre demoram em ajudar os povos pretos nessas tragédias naturais, vide o caso do Furacão Katrina; e qual é o interesse do Brasil no Haiti? Vaga no conselho de segurança da ONU? Mas precisamos nos proteger de quem? De nós mesmos?


Links para entender melhor os fatos:

http://lacitadelle.wordpress.com/2010/01/15/haitis/
http://lacitadelle.wordpress.com/2010/01/14/o-civismo-e-a-criatividade/
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/01/462947.shtml

Olha só quem voltou...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Haiti é ali, mas invadiram o meu barraco


O Soldado estava na internet


Quando o terremoto o atingiu

Os blocos de concreto

Esmagaram-no

Chora o Brasil com a morte do Soldado

Será que ele participou na invasão em Porto Príncipe?

Onde o povo clamava pela volta de Aristide

Será que ele atirou com a Ponto 50?

Que acertou na cabeça da mãe que amamenta

Amamentava...

Tinha a outra que ia parir

Também viu o professor cair

E o moleque, ah, o moleque

Será que foi o Soldado que rasgou a sua pele?

Em busca de soberania

Eles treinam os nossos soldados

Tiro ao alvo na favela do Haiti

Genocídio nas favelas daqui

E eles são todos pretos

Ajuda humanitária, médicos, endereços

Infraestrutura

Lula

Anula

Liberdade

Nenhuma

Será que era o Soldado que empunhava o fuzil

Que dava cobertura

Invasão de viatura

Invadiram meu barraco

Quebraram meu prato

Estupraram minha filha!

Força de paz

Liderada pelo Brasil

A seleção é brasileira

A terra é estrangeira

A comoção pelo Soldado

Que estava na internet

Conversando com a família...

Banda larga que perece

O haitiano que perece

Mete o pé ONU

O Haiti é lá, mas invadiram o meu barraco

O Haiti é lá, mas invadiram o meu barraco

Se escondam

Não é terremoto

Atiraram para todos os lados

Só 50 mil?





Fábio Emecê - Bandeira Negra, Coletivo H2A e Primitivo Ativo

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Prega-se o racismo, a muralha e a Servidão



Sobre vandalismo no Axé Opo Afonjá




e o Genocídio praticado em Salvador







“Desenvolver o Estado penal para responder às desordens suscitadas pela desregulamentação da economia, pela dessocialização do trabalho assalariado e pela pauperização relativa e absoluta de amplos contingentes do proletariado urbano, aumentando os meios, a amplitude e a intensidade da intervenção do aparelho policial e judiciário” Loïc Wacqante, As Prisões da Miséria , ZAHAR

















O Correio da Bahia em sua edição de 06 de janeiro de 2010, apresentou em sua manchete de capa uma matéria que tratava de uma forte violação ao espaço sagrado do Ilê Axé Opo Afonjá , no São Gonçalo do Retiro.



O Afonjá foi Fundado em 1910 por D. Eugenia Ana dos Santos ( Mãe Aninha) notável sacerdotisa e desde 1976 é comandado com esmero e dignidade pela Honorável Yalorixá Mãe Stella de Oxossi .



As ancestrais do Afonjá, Gantois e Casa Branca são três Jovens, como se conta, pela “roça” da Federação, que vieram escravizadas para o Brasil, chegaram algemadas, foram, encarceradas e tiveram como primeiro contato com esse território hostil os rigores da lei e o poder de policia de um Estado escravista. Em sua bagagem elas trouxeram a força dos orixás e a certeza da luta contra muros, cercas e mentiras. Venceram as tias fundadoras.



A manchete mencionada do Correio da Bahia, fala de depredação do Terreiro, Trafico de drogas, ameaças aos moradores, invasão de templos sagrados, furtos de objetos litúrgicos etc. causa indignação a qualquer pessoa , independente de seu pertencimento racial ou religioso



Muitos intelectuais e sacerdotisas se pronunciam nessa matéria do jornal e, em listas da internet pipocam opiniões indignadas todos em uníssono apresentam sua indignação com o drama vivido pelo Axé Opo Afonjá.



Para Ilustrar o jornal apresentou um Box em que registrava a expulsão de outro terreiro na comunidade de Babilônia, no bairro de Tancredo Neves, segundo a reportagem a ordem da destruição foi dada por supostos traficantes



Mas cá pra nós!!!



Essa indignação tardia me causou indignação diante de tanta hipocrisia. Todos os dias terreiros são invadidos por policias, filhos de Santo são mortos pela repressão policial em nossas comunidades, sem direitos aos rituais mortuários exigidos para sua passagem ao outro mundo, pequenos terreiros em bairros populares são vigiados como antro de bandidos, um, o Oya Onipó Neto, chegou a ser demolido pela prefeitura municipal de Salvador e essa turma ficou calada, o líder do CEN precisou fazer greve de fome para chamar atenção do Brasil e essa turma escondida atrás de distinção social, agora vem a publico pedir mais repressão, mais policia nas comunidades e mais muros e cercas e execuções posto que essa tem sido a pratica da Secretaria de Segurança Publica da Bahia nos conflitos em nossas comunidades negras ....eu sei moro lá



Vejamos com muita calma, combinemos aqui



O Axé Opo Afonjá é um Oasis no deserto de desgraça das comunidades que o cercam, para bem além da Baixinha de Santo Antonio o inferno parece existir como Dante Alighieri descreveu. Se não acredita no inferno passe pelas escadarias do Engenho Velho de Brotas pela madrugada, terá sorte se não encontrar demônios de uniforme, armas e distintivos do governo da Bahia ...eu sei eu moro lá



Freqüentam o Axé Opo Afonjá autoridades civis e militares, que ostentam o orgulho de serem ministros de Xangô, ministros, governadores e ex governadores vão as festas , primeiras damas e toda sorte de gestores públicos que administram a cidade , intelectuais que estudam a cidade e seus costumes, seus viveres , seus dramas , não podem dizer que não viram o caus se formando, a desgraça cercando os assentamentos , a pobreza circulando entre os carros de luxo.



Vamos combinar!



Tem uma juventude ai, que quer explodir um par de torre gêmeas em cada comunidade sem esgoto, sem água potável, sem asfalto , sem respeito. Em cada vez que se inaugura uma serie de carro novo que aparece na propaganda da TV, o tênis da hora, a TV de ultima geração, o celular que tira foto , a sociedade de consumo gera seus efeitos colaterais... se ostenta riqueza espere que a faca vem pra dividi-la , de um jeito ou de outro.



O pai do Vice-Prefeito de Salvador , Edvaldo Brito era seu Nezinho de Ogun, Nezinho e seus irmãos e irmãs de santo foram perseguidos por policiais no tempo em que candomblé tinha o a marca da seletividade penal , a policia que é convocada para “dar resposta aos orixás” na retro-mencionada reportagem do Correio da Bahia foi criada em 1826 para combater o quilombo do Órubu, nome do Quilombo comandado por uma arqueira conhecida como Zeferina ( podia ser de Oxossi ). Depois da destruição foi encontrado nos destroços do quilombo um emblema de Xangô.



O Muro que o Axé Opo Afonjá e o movimento social negro precisa erguer, é um muro de proteção das nossas comunidades. De auto proteção para não nos sentirmos isolados de nosso povo em matérias de jornal, dar entrevista falando de um “eles” cósmicos.



Esses meninos armados, famintos e violentos nos anunciam os efeitos do racismo



É bom ouvi-los







Hamilton Borges Walê



Omom Orixá do Ilê Axé Omon Ewa



Campanha Reaja



Quilombo Xis





segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Equilíbrio II - Pelas futuras gerações



A Semana de Cultura Hip-Hop de São Paulo, evento promovido no final de julho de 2009 pela Ação Educativa, junto com mais de 10 grupos, posses e coletivos de Hip-Hop, teve quatro sessões de diálogo na sua programação. No dia 28 de julho, sob o tema “As Resignificações do Hip Hop. Teorias ou Práticas”, a reunião de pensadores, artistas e pesquisadores do Hip-Hop foi palco de uma discussão mediada por Sueli Chan, militante do Movimento Negro e fundadora da Zulu Nation Brasil, durante a exposição de minhas idéias e do relato do trabalho de Alessandro Buzo, escritor, empresário e apresentador do quadro “Buzão”, do programa Manos e Minas, da TV Cultura.




É necessário pontuar a importância desse espaço para a elaboração e troca de idéias, fruto da cultura de resistência desenvolvida pelo rap e pelo Hip-Hop nos anos 1990. “Vivemos um momento histórico que privilegia o não pensar”, assim definiu Wellington, integrante do Núcleo Força Ativa que participou da Semana de Hip-Hop. É esse momento que gostaria de abordar, afinal, em meio à diversidade estética do Rap, novos discursos são desenvolvidos e novos conflitos são criados. A linha politizada do cenário precisa entender que, como afirma o filósofo Richard Shusterman, decisões artísticas não podem ser resultado da estrita aplicação de regras, e sim produto de uma imaginação crítica e criativa. A ala festeira e pop tem que valorizar as conquistas políticas dos militantes do Hip-Hop, pois a vida, sendo artística ou não, depende e é guiada, na maioria das vezes, por decisões políticas, desprezar esses fatos é burrice.



Desde o seu início, até hoje, a influência da matriz norte-americana se fez forte, até o Rap latino veio para nós via EUA. Sabemos que isso demonstra o poder econômico dos Estados Unidos, é fato. Aceitar a diversidade no Rap não quer dizer despolitização total. Politização não pode significar a condenação ao esquecimento dos que não representam a “revolução”. O Rap brasileiro não tem mercado, não desenvolve uma economia forte, há poucos espaços para shows, fatos também indiscutíveis. Comparando com a matriz norte-americana, estamos muito distante, pois, nos EUA, grupos de vários estilos, com discursos políticos, gírias de cafetões ou rimas pop, conseguem viver de sua arte. “Vocês ignoram e desprezam o rap pop”, disse, no ano passado, o rapper Cabal numa discussão pelo twitter e durante entrevista ao CHH. Foquemos nossa atenção nesse desabafo, pois o problema começa com a definição do que é ser pop no Rap. Em meio aos variados discursos, qual formula pop os grupos brasileiros escolhem?



Não há uma definição exata do que é música pop. Segundo Roy Shuker, autor da obra "Understanding Popular Music" (1994), "culturalmente, toda música pop é uma mistura de tradições, estilos e influências musicais. É também um produto econômico com um significado ideológico atribuído por seu público".



"O pop não hesita em participar do mainstream. Aceita e pretende ser agradável e vender uma bela imagem de si mesmo", sentencia D. Hill, autor do livro "Designer Boys and Material Girls: manufacturing the 80´s Pop Dream". Como falei na mesa da Semana de Cultura Hip-Hop (2009), a afirmação de D. Hill causa indignação numa parte do cenário Rap nacional. A idéia que se tem de uma música feita nos moldes citados pelo autor, é a de que o seu caráter é descartável, pois não possui bases fortes e independência artística, segue a última onda, se enquadra em cada mudança de estação e tendência. Não é preciso ir muito longe para perceber qual a tendência do Rap pop atual, só não queremos que ele se transforme no culto hedonista e consumista transmitido pelos gringões e pelo pancadão (lembrando que nem todos os grupos de funk carioca seguem essa linha). O Rap brasileiro precisa gerar dinheiro para os profissionais da cena, é uma questão de sobrevivência. Isso significa inserir o Rap na lógica do lucro do capitalismo? Sim, significa, mas valores utilizados e assimilados, a idéia do que é ético (ou não) precisam ser repensados. O Rap é pra ser curtido e discutido, é para agradar, é pra causar perigo. Perguntas surgem: Agradar quem? Causar perigo pra quem?



Quem nasce pobre quer sair dessa situação, uma atitude legítima de mudança. Para os rappers dos EUA que são destaque atualmente, o sucesso comercial e suas ostentações podem funcionar essencialmente como sinais de uma independência econômica, a qual possibilita a livre expressão política e artística para uma possível mobilidade social*. Mas não é isso que vemos, a lógica do lucro superou qualquer coisa, o Rap que ajudou na campanha de Barack Obama, também reproduz o preconceito e outras formas de exploração, vide a série de debates "Hip-Hop vs America"**. No Brasil, um país com uma enorme desigualdade social, a adoção irrestrita do discurso vencedor dos norte-americanos pode agradar e ser ameaça. Não se iludam senhores, sabemos o local em que o cordão arrebenta. Só não arrebenta se for aquele de ouro pendurado no pescoço da minoria. Todo artista tem liberdade para ser pop nesses moldes, mas não tem o direito de desdenhar das opiniões contrárias em nome do lucro pessoal. Quando se “tira” a opinião politizada, se “tira” a favela, mesmo que ela não saiba. Os mais antigos precisam criar um link de confiança e respeito com os novos artistas e vice-versa. Se essa ideia não for levada em conta hoje, será totalmente esquecida pelas futuras gerações do Rap brasileiro. Questão de equilíbrio.



*Richard Shusterman, filósofo autor do livro "Vivendo a Arte".

**Programa dividido em 10 partes que debate a situação do Rap norte-americano e aborda questões como machismo, consumismo e ostentação, entre outras (em inglês).



Cortecertu - Central Hip Hop

sábado, 9 de janeiro de 2010

Hip-Hop Santa Marta: Resistência Cultural



No último dia 27 de dezembro a favela Santa Marta pôde prestigiar mais uma edição do "Hip-Hop Santa Marta", produzida pela posse "Visão da Favela Brasil". Neste mês, o evento foi em comemoração aos 12 anos de cultura hip-hop do rapper Fiell. Desde 2007 o evento tem sido realizado na comunidade, na Praça do Cantão e conseguiu a façanha de em poucos meses agregar diversos artistas do hip-hop carioca bem como ativistas de movimentos de direitos humanos.




Retrospectiva



Em 2008 a comunidade sofreu um forte impacto, pois às vésperas de uma Edição Especial, a Polícia Militar ocupou o morro e silenciou todas as suas manifestações culturais: baile funk, forró, samba, pagode e hip-hop. Toda e qualquer manifestação cultural estava sob vigilância do Estado, pois em sua visão as aglomerações de pessoas eram fonte de suspeita. Cogitou-se murar a comunidade e instalar câmeras de segurança pelas suas vielas. Moradores foram contratados por uma ong para mapear toda a comunidade por GPS. A quem servirão essas informações e com que finalidade, ainda é uma interrogação. São projetos que parecem ter inspiração no panóptico de Michel Foucault, ou no Big Brother de George Orwell. Qualquer semelhança com os tempos da ditadura não foi mera coincidência. E para dar mais eficácia à estratégia de silenciamento, houve o confisco do equipamento de som que servia a todas as manifestações citadas.



Com muita negociação, o "Visão da Favela Brasil" conseguiu autorização do batalhão da PM para funcionar, mas com restrição de horário. As primeiras edições pós-ocupação, foram marcadas pelo sentimento de receio dos artistas. Um cenário com PMs armados nas escadarias da quadra onde o evento rolaria, grupos de rap apreensivos de cantar suas músicas e sofrerem represálias pelo seu conteúdo, e DJ's tendo que refazerem seus sets de música pelos mesmos motivos.



A (re)existência da comunidade



E um ano se passou. Com a ocupação o evento perdeu a regularidade mensal e cada edição passou a ser uma vitória, pois deveria ser negociada junto à PM. Aos poucos as outras manifestações voltaram, mesmo que eventualmente hajam denúncias de arbitrariedades por parte de alguns policiais, e a perda da espontaneidade das pessoas que a vigilância permanente causa. Vide o estado de apreensão a que hip-hoppers são submetidos a cada evento, de ter que se apresentar com policiais passando em frente ao palco e prestando atenção a cada faixa tocada nas pick-ups. Pesquisadores da ong "Observatório de Favelas do Rio de Janeiro" acompanham atentamente a esse processo, que agora se repete em outras favelas das Zona Sul e Oeste da cidade do Rio de Janeiro.



Não é objetivo desta matéria realizar uma análise das políticas de segurança púlica do Rio de Janeiro, mas sim mostrar o papel que as manifestações culturais, aí incluído o Hip-Hop, têm na formação da identidade das pessoas e, por isso este ser o primeiro ponto a ser abordado quando da iniciativa de impôr transformações em algum lugar. Não é à toa que as propagandas na TV, da UPP - Unidade de Polícia Pacificadora, mostrarem crianças sentadas em bancos tocando violino no mesmo lugar que ficou conhecido por sediar o baile funk da comunidade. Trate-se de sufocar a cultura do povo, impondo um padrão de "cultura erudita", tal qual na colonização. É o processo de pacificação posto em prática.



Fico pensando alto: até que ponto o que vivemos no dia a dia influencia na arte que produzimos? De que maneira isso acontece? Será que a gente já se deu conta do quanto isso que produzimos tem impacto, mesmo que pensemos ser inócuos? Existe arte pura, descompromissada? Mesmo quando o hip-hop se propõe a não falar das desigualdades, essa neutralidade existe? Isso é estratégia de sobrevivência? Por que o funk, o forró, o pagode e o samba também não foram poupados, se teoricamente não abordam as coisas que o hip-hop aborda?



Nos versos de "Periafricania", do Z'África Brasil:

"É forte o choque, a sua glock

Não destrói meu Hip-Hop"



Sem palavras a todos e todas que têm contribuído para que o evento resista bravamente a todas as intempéries. Sei que posso não lembrar de todos os nomes, mas lá vai: Us Neguim q ñ c kala, Poder Consciente, O Levante, Nego Tema, DJ TR, DJ Saci e Eletrobase, Nando-e, K2, Kapella, Hanna Lima, DJ Boneco, K-lot e o Bonde dos Cria, Marechal, Delírio Black, Funkero, Dão, Migu, Tim, Bandeira Negra, Mc Wiza, DJ Lulinha, Vanone Rappman, Di Função, Candace, Fred Hampton Jr., DJ Dall, DJ Roger Flex, DJ Toni, Descendentes da Ralé, MR Boca, Papo Reto, Vozes do Gueto, Anti-Éticos, Mc Rosendo, Pró-Rap Rua, Tiago El Niño, Mister Roney, Família Kaponne, 4E, Bella Máfia, Negra Rê, Sheep, Sky Dance, Ako Dance, GBCR, Bob X, Pluto, Malone, Kaleo. Salve!



Por: Candace, em 04/01/2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010