quinta-feira, 24 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
EUA e europeus divididos sobre comando de ataques a Líbia
A proposta de que a OTAN encabece as ações militares, defendida por Estados Unidos e Inglaterra, é rechaçada por França, Turquia e Alemanha. O governo de Nicolas Sarkozy deseja que o comando fique nas mãos de um grupo político no qual estão envolvidos os ministros de Relações Exteriores da coalizão e da Liga Árabe. Além disso, o primeiro ministro francês, François Fillon, afirmou que uma força de ocupação terrestre foi explicitamente excluída.
La Jornada
Washington – A coalizão ocidental que participa da operação “Alvorada da Odisseia” contra o regime líbio de Muammar Kadafi continua dividida a respeito da estratégia no país norteafricano e de quem deve ficar no comando das operações militares. Estados Unidos e Inglaterra defendem que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) desempenhe um papel chave, mas França, Turquia e Alemanha se opõem a essa proposta.
Bem Rhodes, porta-voz da Casa Branca, informou que o presidente Barack Obama conversou com o primeiro ministro britânico David Cameron, que se mostrou favorável a que a aliança atlântica exerça um papel chave no comando da operação militar na Líbia. Obama, que se encontra em El Salvador em um giro pela América latina, sustentou que os vôos sobre a Líbia foram reduzidos significativamente e que a coalizão internacional está perto de implantar a zona de exclusão aérea para proteger os civis líbios.
No entanto, a proposta de que a OTAN encabece as ações militares é rechaçada por França, Turquia e Alemanha. O governo de Nicolas Sarkozy deseja que o comando fique nas mãos de um grupo político no qual estão envolvidos os ministros de Relações Exteriores da coalizão e da Liga Árabe. Além disso, o primeiro ministro francês, François Fillon, afirmou que uma força de ocupação terrestre foi explicitamente excluída.
Alguns analistas assinalaram que a posição de Sarkozy contrária a que a OTAN tenha um papel importante na Líbia, tem o duplo objetivo de ganhar imagem política e prolongar a liderança de Paris dentro da coalizão.
Por enquanto, Espanha, Ucrânia, Noruega, Bélgica e Emirados Árabes Unidos, notificaram o secretário geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, seu apoio à intervenção militar com base na resolução 1973.
Enquanto isso, os embaixadores dos 28 países membros da OTAN concordaram em realizar um esforço coordenado de unidades navais diante da costa da Líbia para assegurar o cumprimento do embargo internacional de armas. Não obstante, a OTAN segue sem chegar a um acordo sobre o que fazer para participar da operação internacional para estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre esse país com o objetivo de proteger a população civil.
Recep Tayvip Erdogan, primeiro ministro da Turquia, reiterou ontem seu rechaço a que a OTAN assuma a liderança dos ataques aéreos contra a Líbia. A Argélia, por sua vez, pediu a interrupção imediata das hostilidades e da intervenção estrangeira. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu, exigiu uma trégua ao declarar-se profundamente preocupada com os ataques militares da coalizão e as vítimas entre a população civil.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a ofensiva lançada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus contra a Líbia tem como objetivo apoderar-se não só do petróleo, mas também da água doce desse país. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega,
El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, dijo que el atropello lanzado por Estados Unidos y sus aliados europeos contra Libia tiene como objetivo apoderarse no sólo del petróleo, sino del agua dulce de ese país. Já o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, chamou de truculentos os Estados Unidos, a França e a Inglaterra pelo ataque contra a Líbia e pediu o fim dos bombardeios para iniciar um diálogo que leve à paz.
Tradução: Katarina Peixoto
Bem Rhodes, porta-voz da Casa Branca, informou que o presidente Barack Obama conversou com o primeiro ministro britânico David Cameron, que se mostrou favorável a que a aliança atlântica exerça um papel chave no comando da operação militar na Líbia. Obama, que se encontra em El Salvador em um giro pela América latina, sustentou que os vôos sobre a Líbia foram reduzidos significativamente e que a coalizão internacional está perto de implantar a zona de exclusão aérea para proteger os civis líbios.
No entanto, a proposta de que a OTAN encabece as ações militares é rechaçada por França, Turquia e Alemanha. O governo de Nicolas Sarkozy deseja que o comando fique nas mãos de um grupo político no qual estão envolvidos os ministros de Relações Exteriores da coalizão e da Liga Árabe. Além disso, o primeiro ministro francês, François Fillon, afirmou que uma força de ocupação terrestre foi explicitamente excluída.
Alguns analistas assinalaram que a posição de Sarkozy contrária a que a OTAN tenha um papel importante na Líbia, tem o duplo objetivo de ganhar imagem política e prolongar a liderança de Paris dentro da coalizão.
Por enquanto, Espanha, Ucrânia, Noruega, Bélgica e Emirados Árabes Unidos, notificaram o secretário geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, seu apoio à intervenção militar com base na resolução 1973.
Enquanto isso, os embaixadores dos 28 países membros da OTAN concordaram em realizar um esforço coordenado de unidades navais diante da costa da Líbia para assegurar o cumprimento do embargo internacional de armas. Não obstante, a OTAN segue sem chegar a um acordo sobre o que fazer para participar da operação internacional para estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre esse país com o objetivo de proteger a população civil.
Recep Tayvip Erdogan, primeiro ministro da Turquia, reiterou ontem seu rechaço a que a OTAN assuma a liderança dos ataques aéreos contra a Líbia. A Argélia, por sua vez, pediu a interrupção imediata das hostilidades e da intervenção estrangeira. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu, exigiu uma trégua ao declarar-se profundamente preocupada com os ataques militares da coalizão e as vítimas entre a população civil.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a ofensiva lançada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus contra a Líbia tem como objetivo apoderar-se não só do petróleo, mas também da água doce desse país. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega,
El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, dijo que el atropello lanzado por Estados Unidos y sus aliados europeos contra Libia tiene como objetivo apoderarse no sólo del petróleo, sino del agua dulce de ese país. Já o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, chamou de truculentos os Estados Unidos, a França e a Inglaterra pelo ataque contra a Líbia e pediu o fim dos bombardeios para iniciar um diálogo que leve à paz.
Tradução: Katarina Peixoto
terça-feira, 22 de março de 2011
Nota
Diante do último fato ocorrido com o grupo de Rap Bandeira Negra, sentimos a necessidade de expressar nosso posicionamento, em virtude da Semana Texeira e Sousa/Souza e outros processos que já vem se acumulando.
Com relação a Semana Texeira e Sousa/Souza, desde quando rolou o convite, por meio de um integrante da Secretaria de Cultura, tinhamos convicção de que o nosso nome não seria aprovado, aliás, a intepretação do convite beirou a uma tentativa precipitada por parte do funcionário de tentar resolver um problema e ter os louros de uma possível reconcialiação.
Primeiro, há um index proibitorium com relação ao nome do Bandeira Negra, nas égides do pseudo-poder cabofriense, é fato. Segundo, não há interesse nenhum em participar em algum evento da Prefeitura de Cabo Frio, só mediante a um cachê considerável e garantia de um tempo mínimo para a apresentação. Terceiro, não dá para compactuar com a atual conjuntura da atual estrutura de poder, estrutura corrupta, elitista, atrasada e incompetente.
Fica até chato da nossa parte ficar repetindo as mesmas coisas toda vez que há um boicote. Assim como não precisamos desse tipo de incentivo para produzir nem para se apresentar por outros cantos como já fazemos há algum tempo.
Para finalizar, um recado a todos e todas que acreditam que o boicote e a cerceação de espaços possa inibir arte de contestação, a indignação, a raiva, o impulso libertário:
domingo, 20 de março de 2011
WikiObama: como é conduzido o governo dos EUA
Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica. O artigo é de Reginaldo Nasser.
Reginaldo Nasser
Qual é o real significado, em termos de política externa, da visita do presidente da república imperial? Até que ponto devemos levar em consideração a sua fala? Em 2009, Obama fez o famoso discurso do Cairo que deverá entrar para a história da diplomacia como um dos mais importantes exercícios de retórica, pois o apoio aos ditadores e a Israel continuou como nunca. Como esquecer da carta que enviou ao Presidente Lula instando o Brasil a trazer o Irã para a mesa de negociação e dias depois condenar a “aproximação” dos dois países? Nesse sentido, creio ser apropriado relembrar os ensinamentos do sociólogo alemão, Max Weber, em texto publicado no início do século XX. Weber advertia que aquele que realmente quisesse encontrar o verdadeiro poder do Estado, não deveria dar tanta relevância para os discursos parlamentares ou para as falas dos presidentes, mas sim observar a forma como é conduzida a administração rotineira do Estado.
Que tal uma passada de olhos sobre os acontecimentos dessa semana e verificar a “rotina imperial” ( 12 a 19 de março)?
Após a derrubada de Mubarak, Obama disse que "era a força moral da não-violência, e não a violência, a força moral que dobrou o arco da história para a justiça”. Entretanto o Pentágono e o lobby da indústria de armas dobraram o arco da história contra os manifestantes pró-democracia no Bahrein. Pode ser mera coincidência, mas é curioso constatar que, após viagem do Secretário de Defesa, Robert Gates, ao Bahreim no dia 11 de Março a Arábia Saudita enviou tropas para aquele pais dando maior consistência ao processo contra-revolucionário com extrema violência.
Os seis Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos) têm fortes ligações com o Pentágono desde os anos 1990. Receberam dos EUA nos últimos quatro anos grandes quantidades de material militar (veículos blindados, aviões, metralhadora e munições) no valor de US $ 70 bilhões. O circulo de poder entre a indústria militar, os Estados do Golfo e o Pentágono inclusive asseguraram uma mudança da doutrina de “mudança de regime ", como no Egito ou Tunísia, para “alteração de regime” a fim de garantir o atual governo.
No dia 18 de março o Center for Constitutional Rights (Fundado em 1966 por ativistas dos direitos civis nos EUA) divulgou um relatório solicitando a administração de Obama a passar da retórica à ação, e a urgência em adotar medidas concretas para cumprir com as suas obrigações internacionais dos direitos humanos. As denúncias versam sobre questões que vão desde a discriminação racial, execuções extrajudiciais até a prática de tortura no Iraque, Afeganistão e Guantamo (lembram-se da promessa em início de mandato?).
No dia 17 de março em matéria do The Guardian ficamos sabendo que os militares dos EUA estão desenvolvendo um software que permitirá secretamente manipular os meios de comunicação com falsos nomes para influenciar e espionar as redes sociais com o objetivo de combater as “ideologias extremistas”. O porta-voz Centcom, orgão gerenciador do projeto, esclareceu, sem meias palavras que nenhuma das intervenções será feita em língua inglesa porque seria ilegal!
Na política doméstica, esta cada vez mais claro que Washington perdeu o interesse pelo problema do desemprego. O governo Obama foi derrotado na “guerra de idéias”. Em recente pesquisa de opinião pública, a maioria dos americanos, com razão, já não nota diferença significativa entre democratas e republicanos no que se refere ao debate sobre o deficit. (Paul Krugman The Forgotten Millions, 18/03/ 2011 The New York Times).
Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica.
(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP)
Que tal uma passada de olhos sobre os acontecimentos dessa semana e verificar a “rotina imperial” ( 12 a 19 de março)?
Após a derrubada de Mubarak, Obama disse que "era a força moral da não-violência, e não a violência, a força moral que dobrou o arco da história para a justiça”. Entretanto o Pentágono e o lobby da indústria de armas dobraram o arco da história contra os manifestantes pró-democracia no Bahrein. Pode ser mera coincidência, mas é curioso constatar que, após viagem do Secretário de Defesa, Robert Gates, ao Bahreim no dia 11 de Março a Arábia Saudita enviou tropas para aquele pais dando maior consistência ao processo contra-revolucionário com extrema violência.
Os seis Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos) têm fortes ligações com o Pentágono desde os anos 1990. Receberam dos EUA nos últimos quatro anos grandes quantidades de material militar (veículos blindados, aviões, metralhadora e munições) no valor de US $ 70 bilhões. O circulo de poder entre a indústria militar, os Estados do Golfo e o Pentágono inclusive asseguraram uma mudança da doutrina de “mudança de regime ", como no Egito ou Tunísia, para “alteração de regime” a fim de garantir o atual governo.
No dia 18 de março o Center for Constitutional Rights (Fundado em 1966 por ativistas dos direitos civis nos EUA) divulgou um relatório solicitando a administração de Obama a passar da retórica à ação, e a urgência em adotar medidas concretas para cumprir com as suas obrigações internacionais dos direitos humanos. As denúncias versam sobre questões que vão desde a discriminação racial, execuções extrajudiciais até a prática de tortura no Iraque, Afeganistão e Guantamo (lembram-se da promessa em início de mandato?).
No dia 17 de março em matéria do The Guardian ficamos sabendo que os militares dos EUA estão desenvolvendo um software que permitirá secretamente manipular os meios de comunicação com falsos nomes para influenciar e espionar as redes sociais com o objetivo de combater as “ideologias extremistas”. O porta-voz Centcom, orgão gerenciador do projeto, esclareceu, sem meias palavras que nenhuma das intervenções será feita em língua inglesa porque seria ilegal!
Na política doméstica, esta cada vez mais claro que Washington perdeu o interesse pelo problema do desemprego. O governo Obama foi derrotado na “guerra de idéias”. Em recente pesquisa de opinião pública, a maioria dos americanos, com razão, já não nota diferença significativa entre democratas e republicanos no que se refere ao debate sobre o deficit. (Paul Krugman The Forgotten Millions, 18/03/ 2011 The New York Times).
Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica.
(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP)
sábado, 19 de março de 2011
Coletivo Dolores recebe prêmio Shell e protesta
Durante a premiação, atores realizaram protesto contra o patrocínio da empresa petrolífera em um dos principais prêmios do teatro brasileiro
16/03/2011
16/03/2011
Na noite desta terça-feira (15), durante a 23ª edição Prêmio Shell de Teatro, atores do Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes realizaram um protesto contra o patrocínio da empresa petrolífera em um dos principais prêmios do teatro brasileiro.
O grupo teatral foi premiado na categoria Especial pela pesquisa e criação de “A Saga do Menino Diamante - Uma Ópera Periférica”, espetáculo que reúne teatro, música e poesia.
No recebimento do troféu, a atriz Nica Maria jogou óleo queimado, simulando petróleo, sobre a cabeça do ator Tita Reis que discursava. O ator leu um texto que fazia referência a bombas jogadas em crianças iraquianas, cartel monopolizador e bombardeio. “Nosso coração artista palpita com mais força do que qualquer golpe de estado patrocinado por empresas petroleiras”, dizia o texto em referência à Shell.
Em nota pública, o coletivo lamenta que “uma das premiações mais conceituadas no meio artístico seja patrocinada por uma empresa que participa ativamente da lógica de produção de ditaduras perenes, guerras e golpes de Estado”.
Além disso, o grupo teatral se manifesta contrário às premiações, por entender que, além de naturalizar hierarquias e competições, delega a grupos o poder de decidir o que é ou não é arte.
Ainda de acordo com a nota, o Dolores Boca Aberta aceitará o prêmio, que além de um troféu confere o valor de R$ 8 mil para cada categoria. “Em nosso entendimento, esta é uma forma de restituição de uma ínfima parte do dinheiro expropriado da classe trabalhadora. Recebemos o que é nosso (enquanto classe, no sentido marxista) e debateremos um fim público para esta verba”, declara a nota.
O Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes existe há dez anos e é formado por trabalhadores da zona leste de São Paulo. Através do teatro, o grupo aborda questões relacionadas à classe trabalhadora em espetáculos gratuitos e oficinas com a comunidade.
Confira o texto lido na entrega do prêmio:
"Para nós do coletivo artístico Dolores é uma honra participar deste evento e ainda ser agraciado com uma premiação.
Nosso corpo de artista explode numa proporção maior do que qualquer bomba jogada em crianças iraquianas.
Nosso coração artista palpita com mais força do que qualquer golpe de estado patrocinado por empresas petroleiras.
Nossa alegria é tão nossa que nenhum cartel será capaz de monopolizar.
É muito bom saber que a arte, a poesia e a beleza são patrocinadas por empresas tão bacanas, ecológicas e pacíficas.
Obrigado gente, por essa oportunidade de falar com vocês.
Até o próximo bombardeio...
...quer dizer, até a próxima premiação!!!"
O grupo teatral foi premiado na categoria Especial pela pesquisa e criação de “A Saga do Menino Diamante - Uma Ópera Periférica”, espetáculo que reúne teatro, música e poesia.
No recebimento do troféu, a atriz Nica Maria jogou óleo queimado, simulando petróleo, sobre a cabeça do ator Tita Reis que discursava. O ator leu um texto que fazia referência a bombas jogadas em crianças iraquianas, cartel monopolizador e bombardeio. “Nosso coração artista palpita com mais força do que qualquer golpe de estado patrocinado por empresas petroleiras”, dizia o texto em referência à Shell.
Em nota pública, o coletivo lamenta que “uma das premiações mais conceituadas no meio artístico seja patrocinada por uma empresa que participa ativamente da lógica de produção de ditaduras perenes, guerras e golpes de Estado”.
Além disso, o grupo teatral se manifesta contrário às premiações, por entender que, além de naturalizar hierarquias e competições, delega a grupos o poder de decidir o que é ou não é arte.
Ainda de acordo com a nota, o Dolores Boca Aberta aceitará o prêmio, que além de um troféu confere o valor de R$ 8 mil para cada categoria. “Em nosso entendimento, esta é uma forma de restituição de uma ínfima parte do dinheiro expropriado da classe trabalhadora. Recebemos o que é nosso (enquanto classe, no sentido marxista) e debateremos um fim público para esta verba”, declara a nota.
O Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes existe há dez anos e é formado por trabalhadores da zona leste de São Paulo. Através do teatro, o grupo aborda questões relacionadas à classe trabalhadora em espetáculos gratuitos e oficinas com a comunidade.
Confira o texto lido na entrega do prêmio:
"Para nós do coletivo artístico Dolores é uma honra participar deste evento e ainda ser agraciado com uma premiação.
Nosso corpo de artista explode numa proporção maior do que qualquer bomba jogada em crianças iraquianas.
Nosso coração artista palpita com mais força do que qualquer golpe de estado patrocinado por empresas petroleiras.
Nossa alegria é tão nossa que nenhum cartel será capaz de monopolizar.
É muito bom saber que a arte, a poesia e a beleza são patrocinadas por empresas tão bacanas, ecológicas e pacíficas.
Obrigado gente, por essa oportunidade de falar com vocês.
Até o próximo bombardeio...
...quer dizer, até a próxima premiação!!!"
sexta-feira, 18 de março de 2011
Quando o carvão se transforma em arma
| Mário Lúcio de Paula |
Uma arma apontada para George W. Bush. Luiz Inácio, apavorado, em um último suspiro antes de ser degolado. Sob a mira de uma arma, Fernando Henrique Cardoso, o papa Joseph Alois Ratzinger, Mahamoud Ahmadinejad, Kofi Annan, Elizabeth II, entre outros. O autor dos justiçamentos de inimigos históricos dos povos, registrados com carvão em papel, é o artista plástico pernambucano Gil Vicente Vasconcelos de Oliveira. Em outubro de 2010, durante a 29ª Bienal de São Paulo, "graças à OAB" daquele estado que, ao atacar sua obra, prestou excelente serviço gratuito de "assessoria de imprensa", seu talento e suas ideias tornaram-se conhecidos por inúmeros brasileiros.![]() Avesso aos jornalões e à televisão, durante mais de uma hora, Gil Vicente nos falou de seu trabalho e suas convicções. Com simplicidade e contundência relatou a construção de sua polêmica série Inimigos, tachada como "apologia ao crime" pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, que recomendou a retirada de sua exposição na 29ª Bienal de Arte de São Paulo. Em nossa conversa, ele se indignou com a situação do povo haitiano, desconhecida até então por ele, que "não lê jornais". Soube que, naquele exato momento, o povo do Egito havia se levantado e derrubado um presidente pró-ianque. Surpreendeu-se com a valente população de Fonseca, distrito de Alvinópolis – MG, que protestou contra a farsa eleitoral e se mobilizou para boicotar as últimas eleições. Falou-nos de sua vida e seu trabalho. Juventude e aprendizado— Ingressei na Escolinha de Arte do Recife com 12 anos e estudei nos ateliês de extensão da Universidade Federal de Pernambuco entre os anos de 1972 e 1977. Em 75, recebi o meu primeiro prêmio, concedido pelo Salão dos Novos, no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco.Este primeiro aprendizado foi muito importante, me fez entender o papel da arte e da educação através da arte: aprendi a me relacionar melhor com o mundo, com os outros, e até comigo mesmo. No meu ver, mais vale um artista se expressar com clareza do que ter uma boa técnica. Eu nunca quis fazer outra coisa. Desde cedo, tive que percorrer galerias, brigar para sobreviver no meio. Muitas vezes, meus trabalhos não eram aceitos, tinha que fazer outros. Antes, nem havia curso superior de arte, fiz ateliê de desenho de observação, procurei artistas locais, apresentei meu trabalho. Corri atrás do meu objetivo. Ossos do ofício— Na década de 80, havia um espaço importante para as artes plásticas. Havia mais galerias e festivais. As pessoas compravam artes plásticas e nas casas das famílias de Recife havia trabalhos de artistas locais. Hoje, o público é menor, temos poucos colecionadores. O circuito de arte é mais profissional, funciona melhor, mas a quantidade de trabalhos vendidos é menor. Às vezes, os recursos são muito precários...![]() Fazendo-se entender— Já fiz quadros de figuras geométricas. É um trabalho que gosto muito. Gosto de pintura, fotografia, desenhos, tudo que é plano. Em paredes, muros, portas. Minha área é essa. Eu brinco dizendo que, quando fui projetado, só me deram altura e largura.Na Bienal de 2002, quando eu fiz trabalhos mais escuros, mesmo que as pessoas não compreendessem tudo o que eu queria mostrar, captavam as emoções, o sentimento. Eu faço as coisas com essa preocupação: que meu trabalho se comunique com facilidade. Com um tema tão nítido como o da série Inimigos, claro que o trabalho ficaria também mais nítido. É uma crítica agressiva, fácil de entender, sem complicação, sem elucubrações teóricas, fica legível para o espectador que eu estava tão revoltado com o sistema. Transmiti isso direto. Quem são os inimigos— As pessoas pensam que fiz a série Inimigos para a Bienal em 2010, quando na verdade foi bem antes, em 2005.Eu queria mostrar que nada presta e que situação ou oposição é tudo a mesma coisa. Coloquei o Fernando Henrique Cardoso e o Lula para deixar claro que a coisa não era de partido, mas que era mostrar o que eles são. Bush foi o primeiro que desenhei, é o pior de todos. Um assassino. O que fizeram no Iraque é um crime. E o Kofi Annan é responsável juntamente com o Bush, ele estava na ONU, que é totalmente pró-USA, dizem que interfere em alguma coisa, mas não interfere nada. Eu também pensava que o Lula, depois de chegar ao poder, colocaria as cartas na mesa, mas eu era muito ingênuo. Pouco depois de eleito, fazer o que ele fez... Ele representava a esperança para muita gente, eu acreditava, perdi a crença e não acredito mais. Fazer essas coisas que eles fizeram é próprio de uma classe de gente. Como é que eu posso confiar nessa gente para fazer qualquer mudança? Quando me convidaram para a Bienal pediram que eu acrescentasse mais um. Foi então que eu fiz Armadinejad, que representa as facções do Oriente Médio. A montagem que fizeram na Bienal ficou muito bacana. Todos os desenhos afastados uns dos outros apenas 20 cm. Os desenhos se potencializaram, os espectadores subiam a rampa e davam de cara com as obras. Eram trabalhos em tamanho real, impactava muito. Revolta e motivação— O que me motivou a fazer isso? Bom, em 2005, eu fiquei completamente revoltado.Eu votava desde os 18 anos de idade. Na juventude, eu via aquela coisa do Arena e MDB, meus pais eram companheiros de Dom Hélder (Câmara). Eu votava esperando uma mudança social, uma mudança boa, é claro. Sempre quis que a desigualdade social acabasse. Nunca votei preocupado em candidato, mas com um programa. Mas não mudou nada. Hoje, veja só, falam de democracia e argumentam dizendo que agora "as pessoas tem celular e outras coisas que não tinham antes", que imbecilidade! Ficam relativizando e teorizando a justiça social, formam consumidores, mas e a educação, saúde e outras coisas mais? Então, em 2005, decidi não votar mais. Não compareço na urna. O máximo que faço é comparecer ao tribunal regional e regularizar a situação eleitoral, pago uma multa irrisória para manter meu passaporte e viajar. É contraditório demais isto de falarem que votar é direito e obrigar as pessoas. Perdi completamente a inocência e a esperança. [Nessa altura relatamos a história de Fonseca, distrito de Alvinópolis - MG, onde uma significativa parte da população decidiu não votar e realizou uma campanha de boicote às eleições. Relatamos protestos em outras regiões do país e o índice de abstenções, votos nulos e brancos, a desmoralização do processo farsante.] Mas no país todo 34 milhões protestaram contra as eleições desse jeito, é? (surpreso) E como é que funciona isso tudo? Então os votos nulos não são considerados válidos na contagem oficial deles? E por que a máquina não tem a opção de anular? Vocês devem mesmo esclarecer isso, eu quero receber esse jornal que fala disso.Eu acho que esse protesto tem que se estender, as pessoas tem que saber que há como acabar com essa coisa, se conscientizar e entender que podem mudar isso. Obrigatório devia ser o direito a educação, saúde, moradia, essas coisas. Parei de votar e não voto mais. Nem me chamem para trabalhar como mesário, não tenho mais ilusões. Campanha eleitoral é uma novela, a política eleitoral é uma coisa cheia de acordos absurdos. Eu tenho certeza que em um estado como Pernambuco ou Minas Gerais, ou qualquer outro, o dinheiro que é roubado durante quatro ou oito anos seria suficiente para resolver os problemas do povo como atendimento médico, escolas. Não sei se resolveria todo o problema, mas tenho certeza de que não seria esse absurdo que vemos hoje. Desde que me entendo por gente, é a mesma coisa. Dizem que não podemos perder a esperança. Como não pode? Pode e deve. Eu tenho muito desejo que isso mude. Mas com esse processo aí, não tenho nenhuma esperança. Vejo gente de classe média falar que o povo está na situação que está porque quer... Veja só o que tem na cabeça desse tipo de gente! "Empurrãozinho" da OAB Dois dias antes da inauguração da 29ª Bienal de Artes de São Paulo, Luiz Flávio Borges D'Urso , presidente da OAB-SP, divulgou uma nota afirmando que: "Uma obra de arte, embora livremente e sem limites expresse a criatividade do seu autor, deve ter determinados limites para sua exposição pública. Um deles é não fazer apologia ao crime como estabelece a vedação inscrita no Código Penal Brasileiro. — Como eu tenho dito, a OAB de São Paulo fez um trabalho eficientíssimo de assessoria de imprensa. Antes mesmo de expor os Inimigos, quando eu ainda estava montando outra sala com outros trabalhos meus, o pessoal da montagem, os vigilantes da Bienal, se identificaram de cara, vieram me cumprimentar, pediram autógrafo, tiraram fotos comigo. O povo tem vontade de castigar esse pessoal aí que eu desenhei. Há quem não goste, mas a maioria gosta, tive muito mais aderência do que dissidência.(...) Essas obras, mais do que revelar o desprezo do autor pelas figuras humanas que retrata como suas vítimas, demonstra um desrespeito pelas instituições que tais pessoas representam, como também o desprezo pelo poder instituído, incitando ao crime e à violência. (...) Por esse motivo é que a OAB/SP está oficiando os curadores da Bienal de São Paulo, para que essas obras de Gil Vicente, da série 'Inimigos' não sejam expostas naquela importante mostra." Isso nunca havia acontecido com um trabalho meu. Eu expus esses mesmos desenhos em Natal, Porto Alegre, Campina Grande. Houve polêmica, mas não tanta. Na Bienal de São Paulo, o efeito provocado pela declaração da OAB foi uma coisa fora de série, mas foi muito bem vindo (risos). Divulgou o trabalho e potencializou o efeito. Recebi muitas mensagens de apoio. Gente na imprensa me defendeu e condenou a censura. Respondendo às tergiversações— Acusam meu trabalho de "apologia ao crime".Ora, o povo é punido por tudo, mas esses políticos roubam dinheiro público descaradamente, aumentam o próprio salário e estão todos impunes! Quem faz as leis são eles mesmos. Como é que as pessoas que antes diziam que desejavam uma sociedade diferente vivem hoje? Essa Bienal de São Paulo tinha como tema "Arte e Política", eu pensava que as pessoas estariam voltadas para debater. Então vêm dizer isso da minha série e mandaram retirar o casal de Urubus da obra de Nuno Ramos, com argumentos de "direitos dos animais". Vêm com esse papo de defesa dos direitos de animais, é uma gritaria danada, mas não existe nenhuma associação de proteção dos seres humanos. O principal é o ser humano. As pessoas se entusiasmam com uma causa dessa para deixarem de ver a realidade, ver uma pessoa que podia ser a gente sem ter o que comer, passando frio na rua. Tem isso nas ruas de todas as cidades. Isso sim é revoltante. Eu me emociono quando falo isso, vejo na rua as coisas e fico revoltado. Como é que pode pessoas nessa situação? Como acontece aquilo e as pessoas se preocupam tanto com uma ficção que eu fiz? Eu fiz uma crítica e incomodo mais que a realidade nua e crua incomoda. Quando mataram o Saddam Hussein, e aquilo aconteceu de verdade, passaram na TV como se fosse um filme. Eu fiz uma ficção e querem dizer que é crime. O Bush matou tanta gente e nem arma química havia lá no Iraque. E tem gente que ainda aplaude aquilo. Arte que educa— Eu pensava que cada inimigo devia ter uma morte diferente. Depois avaliei que isso iria criar um enredo diferente para cada um e isso iria fazer as pessoas pensarem nos diferentes pecados que cada um cometeu e isso iria acabar desviando a atenção do público do que é essencial. Eu não quis refazer a morte do Lula e depois fiz todos os outros com a simples execução com a pistola.O cenário é simples. Utilizei o papel, que é mais próximo do público. Eu não queria a espetacularização de cinema do USA, com cabeças explodindo e sangue jorrando. Os desenhos são em preto e branco e em tamanho real, se fossem pequenos não provocariam o mesmo impacto. E um fato excelente: sempre que pisei lá na Bienal havia muitas escolas presentes, turmas inteiras. Foi um movimento que há muito tempo não havia na Bienal. Cumpriu um papel educacional muito grande. A série segue pelo Brasil— Depois da Bienal de SP, foram criadas pequenas curadorias e partes das obras serão expostas em outras partes. Agora, em fevereiro, a série Inimigos está em Belo Horizonte e, assim, ainda irá a outras cidades. Outros recortes da Bienal irão para outras partes do país. Portanto, este ano, ainda teremos várias pequenas mostras e meu trabalho ainda está sob guarda da Bienal para esse trabalho itinerante.No momento, estou fazendo um álbum de gravuras com outros cinco artistas, um projeto que eu gosto muito. E assim pretendo seguir trabalhando, fazendo minha arte com sentimento. |
quarta-feira, 16 de março de 2011
A fome e as finanças: um retrato da desigualdade
Atualmente, a população mundial conta com mais de 6,8 bilhões de pessoas. De acordo com dados da ONU e seu órgão para Agricultura e Alimentação (FAO), 925 milhões desse total passam fome. Trata-se de um contingente equivalente a 5 vezes o total da população brasileira! Além disso, vale registrar que as crianças são as que mais sofrem com tal quadro. Quase um terço das crianças nascidas no chamado Terceiro Mundo, ou seja, 180 milhões, apresentam problemas de desenvolvimento físico e intelectual em razão de problemas de subnutrição nos primeiros 5 anos de vida. O artigo é de Paulo Kliass.
Paulo Kliass - Especial para Carta Maior
Uma das armadilhas mais perigosas quando se analisam questões macro e de grande amplitude, como é o caso da fome no mundo, reside na tendência a considerar tais fenômenos como “fatalidades”, processos profundos e de longuíssimo prazo, praticamente sem solução à vista. Aquela estória de que “esse quadro está aí desde que o mundo é mundo” e por aí vai. Como os avanços não ocorrem no curto prazo e também não existem instrumentos efetivos de decisão no plano internacional, a coisa vai sendo empurrada com a barriga e a situação dramática continua a afetar a vida de boa parte da população do mundo.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos determina em seu Artigo 25, entre outros princípios, que toda pessoa “tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis” (GN). No entanto, a realidade está bem distante desses direitos básicos, em especial no que se refere à questão da fome.
Os números são realmente chocantes e o que mais impressiona é a passividade das elites políticas por todos os cantos do planeta, que pouco se movimentam na busca de soluções efetivas. A grosso modo, elas estão ausentes, seja no plano local, nacional, regional ou global. Na verdade, o Brasil é um dos poucos exemplos onde políticas públicas foram implementadas pelo Estado com algum grau de seriedade e resultados. Nesse quesito, desde o Comunidade Solidária e os sucessores Bolsa Família e Fome Zero, os programas governamentais brasileiros têm sido uma referência para os que se preocupam com o tema pelo mundo afora.
Atualmente, a população mundial conta com mais de 6,8 bilhões de pessoas. De acordo com dados da ONU e seu órgão para Agricultura e Alimentação (FAO), 925 milhões desse total passam fome (1). Trata-se de um contingente equivalente a 5 vezes o total da população brasileira! Além disso, vale registrar que as crianças são as que mais sofrem com tal quadro. Quase 1/3 das crianças nascidas no Terceiro Mundo, ou seja, 180 milhões, apresentam problemas de desenvolvimento físico e intelectual em razão de problemas de subnutrição nos primeiros 5 anos de vida. Pior ainda, a fome é responsável por 35% dos óbitos de crianças nessa faixa etária.
A distribuição regional do mapa da fome reforça ainda mais os aspectos da profunda desigualdade sócio-econômica em escala internacional. A absoluta maioria da população que passa fome está concentrada na Ásia e na África Subsaariana – ali estão 88% desse quase 1 bilhão de pessoas. A título de comparação, a América Latina e Caribe contêm 6% e os países desenvolvidos apenas 2% desse total.
Parece estar mais do que comprovado que a sociedade contemporânea tem plenas condições tecnológicas e econômicas de resolver esse drama. Assistimos a uma contínua e impressionante elevação nas taxas de produtividade em geral, inclusive no domínio da agropecuária. Existem terras agriculturáveis espalhadas pelos vários continentes. A questão, como sempre, esbarra nos problemas de ordem política e dos interesses econômicos existentes por trás dos governos, a orientar as políticas públicas na perspectiva do lucro privado e não no atendimento das necessidades da maioria da população.
A mercantilização generalizada e a crescente financeirização de todas as atividades em escala global podem contribuir para a explicação de tal comportamento. O desenvolvimento das atividades agrícolas e pecuárias - a base para a alimentação do ser humano – orienta-se como um setor a mais no extenso menu das opções oferecidas pelo mundo capitalista. Ao serem tratados apenas como mercadoria, itens como arroz, trigo, carne, soja, milho, dentre tantos outros, perdem a sua característica essencial e primeira. Qual seja, a de satisfazer uma das mais essenciais carências dos indivíduos em sociedade – alimentar-se.
A subordinação de tais necessidades sócias básicas à lógica da geração de lucro e da acumulação do capital provoca distorções graves, uma vez que as razões para produzir ou não tal alimento, para investir ou não na agropecuária em tal região, saem da esfera da política pública para a lógica do empreendimento privado. Ou, ainda que apoiada por algum mecanismo estatal (como nos casos de fortes subsídios concedidos nos países desenvolvidos), a lógica permanece restrita aos interesses daquele País e não leva em consideração as necessidades da alimentação da população em escala mundial.
Dessa forma, a dinâmica de preservação dos níveis de miséria e de desigualdade se mantém tanto nos sistemas políticos injustos e excludentes nos planos local e nacional, quanto no modelo desigual da distribuição da riqueza entre os países. As falsas desculpas de que as condições para produção agrícola e pecuária, em escala global, são insuficientes para atender ao crescimento populacional não se sustentam.
A História e importantes pesquisadores, como o brilhante brasileiro Josué de Castro (2) , se encarregaram de mostrar que as hipóteses de Malthus estavam equivocadas. O ritmo de crescimento da população tem diminuído, a capacidade potencial de produção de alimentos tem crescido de forma significativa e mesmo assim a fome atinge um enorme contingente de indivíduos. E o mais grave: segundo os dados da própria ONU, 80% das pessoas que passam fome vivem em regiões e trabalham em atividades ligadas ao campo ou à pesca. Ou seja, numa perspectiva planetária, o problema não se restringe apenas aos movimentos migratórios do campo para as cidades, que estariam a explicar as dificuldades com a alimentação.
Por outro lado, a ampliação descontrolada das opções financeiras introduz uma dificuldade suplementar na dinâmica das atividades agropecuárias. Aos já existentes e antigos movimentos de especulação com os estoques de produtos e a manipulação de seus preços nos mercados nacionais e internacionais, veio somar-se a criação de títulos financeiros que se autonomizaram em sua dinâmica de comercialização e negociação. Isso significa dizer que tais papéis perderam toda e qualquer relação com a atividade produtiva do bem que leva impresso em seu nome – café, soja, carne bovina, trigo, milho. A criatividade do mercado financeiro em busca de novas alternativas de ganhos e movimentação passa a oferecer, assim, promessas de compra ou venda futura de toneladas de um ou outro produto. É o que o financês chama de “mercado a termo”, o mercado futuro de “commodities”. Outros ainda simplesmente operam títulos de cotação de preços de tais bens primários no horizonte de meses ou mesmo de anos. A opção pelo tipo de aposta “altista” ou “baixista” fica por conta do freguês...
O movimento especulativo sem controle dos órgãos governamentais ou dos organismos multilaterais tende a criar situações insustentáveis do ponto de vista da realidade da economia. Os papéis são lançados, comprados, vendidos, revendidos, de tal forma que o movimento só se sustenta nessa ilusão da dinâmica do mercado em movimento. Caso alguém resolva parar a roda da ciranda financeira por um instante, vem à tona a crise como a que o mundo conheceu recentemente. Tudo não passava de um conto de fadas. Os papéis viraram pó. Isso porque os mercados financeiros no mundo todo giram diariamente quantias de toneladas virtuais estupidamente superiores à capacidade efetiva dos países produzirem aquele volume de produtos agropecuários. Pura bolha, toda recheada de ar!
Outro aspecto agravante relaciona-se ao fato de que as atividades realizadas no campo cada vez mais se distanciam de sua função precípua. A lógica de “atender à demanda” provoca distorções estruturais no sistema, às quais acabamos por nos acostumar, nesse perigoso comportamento da passividade. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que 40% da área plantada pelo milho destinam-se à produção de etanol. No caso brasileiro, sabe-se que boa parte da soja plantada e exportada é destinada à produção de ração animal. Os programas todos de substituição energética das fontes de combustível por fontes renováveis plantadas (como o nosso etanol e biodiesel) carregam em seu interior também essa contradição. São superfícies consideráveis de terras a produzir bens agrícolas que não se destinam a resolver o problema crucial da fome.
O ponto a ressaltar é que, desde haja vontade política e um pacto entre os principais países do planeta, não é muito difícil resolver a questão da fome nos tempos de hoje. Idéias e propostas não faltam. Porém, todas elas envolvem o debate de natureza redistributiva da renda e o reconhecimento da necessidade de uma ação reguladora sobre os chamados agentes econômicos para buscar a solução. Assim, observa-se uma enorme resistência por parte dos que detêm posições de comando e decisão no mundo político e empresarial.
Já comentei aqui a respeito da Taxa Tobin e da “Associação para a Taxação das Transações Financeiras para Ajuda aos Cidadãos” (ATTAC) (3). Pois bem, trata-se da idéia do economista James Tobin e transformada em movimento internacional pela entidade no final da década de 1990. A proposta é de criar uma espécie de imposto sobre as operações financeiras internacionais, que seria destinado à constituição de um fundo internacional para erradicação da fome e da miséria no mundo. Apenas a título de ilustração, caso fossem atingidas apenas as operações cambiais e com uma alíquota irrisória de 0,005%, seriam arrecadados por volta de US$ 30 bilhões anualmente. O mundo financeiro resiste heroicamente. Mas não hesitaram um segundo em solicitar as centenas de bilhões de dólares destinados aos bancos e às grandes empresas transnacionais à beira de falência desde 2009 até hoje.
É também bastante antiga a proposta de constituição de fundos internacionais voltados a controlar os estoques reguladores de matérias-primas e produtos agrícolas em escala internacional. Concebidos para serem operados na forma de uma gestão compartilhada no interior de organismos multilaterais, tais instrumentos poderiam servir como anteparo de proteção aos movimentos especulativos nos mercados de tais produtos, além de permitir ações coordenadas em momentos de escassez de oferta causados por tragédias naturais.
Ganham força também nos espaços de debate, e mesmo na esfera diplomática, as propostas de maior regulação e fiscalização de instrumentos financeiros especulativos, em particular na área das “commodities”. Os bancos, as bolsas de mercadorias as demais instituições financeiras passariam a ser mais controlados e as distorções de natureza especulativa, que prejudicassem o atendimento das necessidades mundiais de produtos alimentícios, seriam coibidas. Esse tema já está na pauta do G-20.
Deveriam também ser fortalecidos os programas de reforma agrária e de agricultura familiar em todo o mundo, como forma de aumentar a oferta de bens alimentícios de utilização efetiva, além de estimular a fixação das famílias no campo e reduzir o luxo migratório para os ambientes urbanos. Ao mesmo tempo, poderiam ser implementadas medidas de estímulo à produção de alimentos, ao invés de utilização de terras para outros fins.
Enfim, é evidente que a solução da tragédia da fome passa por uma vontade política efetiva por parte dos tomadores de decisão no mundo contemporâneo. E que o universo financeiro teria uma grande contribuição a fornecer para reduzir esse e outros níveis de desigualdade atualmente existentes.
NOTAS
(1) Ver: http://www.fao.org/docrep/013/i2050s/i2050s07.pdf
(2) Ver: http://www.josuedecastro.com.br/port/index.html
(3) Ver: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4718
(*) Doutor em economia pela Universidade de Paris 10 (Nanterre) e integrante da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, do governo federal.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos determina em seu Artigo 25, entre outros princípios, que toda pessoa “tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis” (GN). No entanto, a realidade está bem distante desses direitos básicos, em especial no que se refere à questão da fome.
Os números são realmente chocantes e o que mais impressiona é a passividade das elites políticas por todos os cantos do planeta, que pouco se movimentam na busca de soluções efetivas. A grosso modo, elas estão ausentes, seja no plano local, nacional, regional ou global. Na verdade, o Brasil é um dos poucos exemplos onde políticas públicas foram implementadas pelo Estado com algum grau de seriedade e resultados. Nesse quesito, desde o Comunidade Solidária e os sucessores Bolsa Família e Fome Zero, os programas governamentais brasileiros têm sido uma referência para os que se preocupam com o tema pelo mundo afora.
Atualmente, a população mundial conta com mais de 6,8 bilhões de pessoas. De acordo com dados da ONU e seu órgão para Agricultura e Alimentação (FAO), 925 milhões desse total passam fome (1). Trata-se de um contingente equivalente a 5 vezes o total da população brasileira! Além disso, vale registrar que as crianças são as que mais sofrem com tal quadro. Quase 1/3 das crianças nascidas no Terceiro Mundo, ou seja, 180 milhões, apresentam problemas de desenvolvimento físico e intelectual em razão de problemas de subnutrição nos primeiros 5 anos de vida. Pior ainda, a fome é responsável por 35% dos óbitos de crianças nessa faixa etária.
A distribuição regional do mapa da fome reforça ainda mais os aspectos da profunda desigualdade sócio-econômica em escala internacional. A absoluta maioria da população que passa fome está concentrada na Ásia e na África Subsaariana – ali estão 88% desse quase 1 bilhão de pessoas. A título de comparação, a América Latina e Caribe contêm 6% e os países desenvolvidos apenas 2% desse total.
Parece estar mais do que comprovado que a sociedade contemporânea tem plenas condições tecnológicas e econômicas de resolver esse drama. Assistimos a uma contínua e impressionante elevação nas taxas de produtividade em geral, inclusive no domínio da agropecuária. Existem terras agriculturáveis espalhadas pelos vários continentes. A questão, como sempre, esbarra nos problemas de ordem política e dos interesses econômicos existentes por trás dos governos, a orientar as políticas públicas na perspectiva do lucro privado e não no atendimento das necessidades da maioria da população.
A mercantilização generalizada e a crescente financeirização de todas as atividades em escala global podem contribuir para a explicação de tal comportamento. O desenvolvimento das atividades agrícolas e pecuárias - a base para a alimentação do ser humano – orienta-se como um setor a mais no extenso menu das opções oferecidas pelo mundo capitalista. Ao serem tratados apenas como mercadoria, itens como arroz, trigo, carne, soja, milho, dentre tantos outros, perdem a sua característica essencial e primeira. Qual seja, a de satisfazer uma das mais essenciais carências dos indivíduos em sociedade – alimentar-se.
A subordinação de tais necessidades sócias básicas à lógica da geração de lucro e da acumulação do capital provoca distorções graves, uma vez que as razões para produzir ou não tal alimento, para investir ou não na agropecuária em tal região, saem da esfera da política pública para a lógica do empreendimento privado. Ou, ainda que apoiada por algum mecanismo estatal (como nos casos de fortes subsídios concedidos nos países desenvolvidos), a lógica permanece restrita aos interesses daquele País e não leva em consideração as necessidades da alimentação da população em escala mundial.
Dessa forma, a dinâmica de preservação dos níveis de miséria e de desigualdade se mantém tanto nos sistemas políticos injustos e excludentes nos planos local e nacional, quanto no modelo desigual da distribuição da riqueza entre os países. As falsas desculpas de que as condições para produção agrícola e pecuária, em escala global, são insuficientes para atender ao crescimento populacional não se sustentam.
A História e importantes pesquisadores, como o brilhante brasileiro Josué de Castro (2) , se encarregaram de mostrar que as hipóteses de Malthus estavam equivocadas. O ritmo de crescimento da população tem diminuído, a capacidade potencial de produção de alimentos tem crescido de forma significativa e mesmo assim a fome atinge um enorme contingente de indivíduos. E o mais grave: segundo os dados da própria ONU, 80% das pessoas que passam fome vivem em regiões e trabalham em atividades ligadas ao campo ou à pesca. Ou seja, numa perspectiva planetária, o problema não se restringe apenas aos movimentos migratórios do campo para as cidades, que estariam a explicar as dificuldades com a alimentação.
Por outro lado, a ampliação descontrolada das opções financeiras introduz uma dificuldade suplementar na dinâmica das atividades agropecuárias. Aos já existentes e antigos movimentos de especulação com os estoques de produtos e a manipulação de seus preços nos mercados nacionais e internacionais, veio somar-se a criação de títulos financeiros que se autonomizaram em sua dinâmica de comercialização e negociação. Isso significa dizer que tais papéis perderam toda e qualquer relação com a atividade produtiva do bem que leva impresso em seu nome – café, soja, carne bovina, trigo, milho. A criatividade do mercado financeiro em busca de novas alternativas de ganhos e movimentação passa a oferecer, assim, promessas de compra ou venda futura de toneladas de um ou outro produto. É o que o financês chama de “mercado a termo”, o mercado futuro de “commodities”. Outros ainda simplesmente operam títulos de cotação de preços de tais bens primários no horizonte de meses ou mesmo de anos. A opção pelo tipo de aposta “altista” ou “baixista” fica por conta do freguês...
O movimento especulativo sem controle dos órgãos governamentais ou dos organismos multilaterais tende a criar situações insustentáveis do ponto de vista da realidade da economia. Os papéis são lançados, comprados, vendidos, revendidos, de tal forma que o movimento só se sustenta nessa ilusão da dinâmica do mercado em movimento. Caso alguém resolva parar a roda da ciranda financeira por um instante, vem à tona a crise como a que o mundo conheceu recentemente. Tudo não passava de um conto de fadas. Os papéis viraram pó. Isso porque os mercados financeiros no mundo todo giram diariamente quantias de toneladas virtuais estupidamente superiores à capacidade efetiva dos países produzirem aquele volume de produtos agropecuários. Pura bolha, toda recheada de ar!
Outro aspecto agravante relaciona-se ao fato de que as atividades realizadas no campo cada vez mais se distanciam de sua função precípua. A lógica de “atender à demanda” provoca distorções estruturais no sistema, às quais acabamos por nos acostumar, nesse perigoso comportamento da passividade. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que 40% da área plantada pelo milho destinam-se à produção de etanol. No caso brasileiro, sabe-se que boa parte da soja plantada e exportada é destinada à produção de ração animal. Os programas todos de substituição energética das fontes de combustível por fontes renováveis plantadas (como o nosso etanol e biodiesel) carregam em seu interior também essa contradição. São superfícies consideráveis de terras a produzir bens agrícolas que não se destinam a resolver o problema crucial da fome.
O ponto a ressaltar é que, desde haja vontade política e um pacto entre os principais países do planeta, não é muito difícil resolver a questão da fome nos tempos de hoje. Idéias e propostas não faltam. Porém, todas elas envolvem o debate de natureza redistributiva da renda e o reconhecimento da necessidade de uma ação reguladora sobre os chamados agentes econômicos para buscar a solução. Assim, observa-se uma enorme resistência por parte dos que detêm posições de comando e decisão no mundo político e empresarial.
Já comentei aqui a respeito da Taxa Tobin e da “Associação para a Taxação das Transações Financeiras para Ajuda aos Cidadãos” (ATTAC) (3). Pois bem, trata-se da idéia do economista James Tobin e transformada em movimento internacional pela entidade no final da década de 1990. A proposta é de criar uma espécie de imposto sobre as operações financeiras internacionais, que seria destinado à constituição de um fundo internacional para erradicação da fome e da miséria no mundo. Apenas a título de ilustração, caso fossem atingidas apenas as operações cambiais e com uma alíquota irrisória de 0,005%, seriam arrecadados por volta de US$ 30 bilhões anualmente. O mundo financeiro resiste heroicamente. Mas não hesitaram um segundo em solicitar as centenas de bilhões de dólares destinados aos bancos e às grandes empresas transnacionais à beira de falência desde 2009 até hoje.
É também bastante antiga a proposta de constituição de fundos internacionais voltados a controlar os estoques reguladores de matérias-primas e produtos agrícolas em escala internacional. Concebidos para serem operados na forma de uma gestão compartilhada no interior de organismos multilaterais, tais instrumentos poderiam servir como anteparo de proteção aos movimentos especulativos nos mercados de tais produtos, além de permitir ações coordenadas em momentos de escassez de oferta causados por tragédias naturais.
Ganham força também nos espaços de debate, e mesmo na esfera diplomática, as propostas de maior regulação e fiscalização de instrumentos financeiros especulativos, em particular na área das “commodities”. Os bancos, as bolsas de mercadorias as demais instituições financeiras passariam a ser mais controlados e as distorções de natureza especulativa, que prejudicassem o atendimento das necessidades mundiais de produtos alimentícios, seriam coibidas. Esse tema já está na pauta do G-20.
Deveriam também ser fortalecidos os programas de reforma agrária e de agricultura familiar em todo o mundo, como forma de aumentar a oferta de bens alimentícios de utilização efetiva, além de estimular a fixação das famílias no campo e reduzir o luxo migratório para os ambientes urbanos. Ao mesmo tempo, poderiam ser implementadas medidas de estímulo à produção de alimentos, ao invés de utilização de terras para outros fins.
Enfim, é evidente que a solução da tragédia da fome passa por uma vontade política efetiva por parte dos tomadores de decisão no mundo contemporâneo. E que o universo financeiro teria uma grande contribuição a fornecer para reduzir esse e outros níveis de desigualdade atualmente existentes.
NOTAS
(1) Ver: http://www.fao.org/docrep/013/i2050s/i2050s07.pdf
(2) Ver: http://www.josuedecastro.com.br/port/index.html
(3) Ver: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4718
(*) Doutor em economia pela Universidade de Paris 10 (Nanterre) e integrante da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, do governo federal.
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